JOGOS INESQUECÍVEIS

Fluminense 0 x 1 São Caetano

O Azulão começa a voar mais alto

por Mateus Ribeiro

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O ano de 2000 foi um tanto quanto conturbado para o futebol brasileiro. Por conta de problemas envolvendo a Justiça Comum, o Campeonato Brasileiro de 2000 foi batizado de Copa João Havelange. Um torneio que reuniu as maiores características do futebol brasileiro: bagunça, falta de bom senso, e a famosa gambiarra, que permitiu que alguns times pulassem de divisões de acesso para a primeira em um piscar de olhos.

Inúmeros clubes foram divididos em quatro módulos, e na fase final o mata mata definiria quem seria o campeão desse bagunçado e nada saudoso campeonato. Talvez a única coisa legal desse campeonato tenha sido o surgimento do fenômeno chamado São Caetano.

A equipe do ABC Paulista foi um dos quatro clubes das divisões (ou módulos) de baixo para enfrentar os times da “primeira divisão”. O adversário do Azulão nas oitavas de final seria o Fluminense, um dos clubes beneficiados pelo formato e regulamento do campeonato. Apesar de o tricolor carioca estar se recuperando do pior período de sua história, ninguém em sã consciência colocaria o até então desconhecido clube paulista como favorito.

E a primeira partida começou dando pintas de que o Fluminense realmente fosse cometer o crime, uma vez que abriu 2 a 0 no jogo de ida, disputado no estádio do Palmeiras. Porém, o São Caetano tratou de virar a partida, que no fim das contas, terminou empatada, fazendo com que o Azulão tivesse que vencer o Fluminense no Maracanã para se classificar o que não é, não foi, e nunca será tarefa fácil.

Então, na tarde de um belo domingo, milhares de torcedores tricolores foram até o verdadeiro Maracanã para ajudar o Fluminense a buscar uma vaga nas oitavas de final. A confiança dos torcedores estava lá em cima. Muitos esperavam uma classificação fácil.

Porém, do outro lado estava um time com fome de bola, buscando um lugar ao sol. E todos sabem que quando um time está com sangue no olho, as coisas ficam difíceis até mesmo para os maiores esquadrões.

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O primeiro tempo foi de sufoco, e o São Caetano mostrou que não estava pra brincadeira. O time paulista inclusive teve um gol mal anulado, mostrando mais uma característica do futebol brasileiro: a arbitragem caseira, que na dúvida, prejudica o time pequeno.

A etapa final dava mostras de que o São Caetano não aguentaria por muito tempo a pressão que o Fluminense ameaçava exercer. Até que na segunda metade do tempo regulamentar, uma falta quase no meio campo mudou o jogo, e a história do pequeno clube, que passaria de surpresa para uma pedra gigante nos sapatos dos grandes times brasileiros.

O atacante Adhemar não quis saber da distância, e enfiou uma sapatada que deixaria Rivellino orgulhoso. O lindo chute definiu a partida, e classificou o São Caetano para as quartas de final do complexo campeonato, que agora tinha um motivo para ser acompanhado de perto.

O São Caetano ainda eliminaria Palmeiras e Grêmio, e só seria derrotado pelo Vasco na (polêmica) final. Depois disso, até 2005 o São Caetano deixou de ser uma zebra, e foi realidade por meia década, chegando até mesmo a ser vice campeão da Libertadores.

Aquele time de 2000 marcou o futebol brasileiro, e nomes como Japinha, Daniel, Serginho (in memoriam), Dininho, Adhemar, Japinha, Dininho e Jair Picerni causam arrepios até hoje em torcedores dos grandes clubes paulistas e brasileiros. E toda essa bonita historia nasceu no maior palco de todos, e a bicuda de Adhemar foi o parto que trouxe ao mundo o fenômeno chamado Azulão.

E você, quais as lembranças desse jogo?

Um abraço, e até a próxima!