JOGOS INESQUECÍVEIS

Cruzeiro 2 x 1 São Paulo (Final da Copa do Brasil de 2000)

O Terceiro Ato

por Mateus Ribeiro

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O Cruzeiro é o maior campeão da Copa do Brasil, com seis conquistas. Cada um dos seis títulos tem seu valor e seu gosto especial, porém, o tricampeonato talvez seja o mais emocionante de todos os triunfos da Raposa na copa nacional de clubes.

A final colocou frente a frente Cruzeiro e São Paulo, dois dos times mais vencedores da década de 1990. O clube mineiro havia conquistado cinco estaduais, uma Libertadores, além de títulos da Supercopa e Recopa Sul-americana. Já o Tricolor Paulista havia levado pra casa um Brasileiro, duas Libertadores, dois Mundiais, uma Supercopa, duas Recopas, um título da Copa Conmebol, além de títulos estaduais. Tinha tudo para ser uma grande final. E foi.

Depois de um empate sem gols na primeira partida, a decisão ficou para o dia 09 de julho de 2000, no Mineirão. Mais de oitenta mil pessoas (algo praticamente impossível nos dias atuais) foram ao estádio para apoiar o que poderia ser o terceiro título do Cruzeiro, ou a inédita conquista para o São Paulo. Vale ressaltar que qualquer empate com gols dava o título ao tricolor paulista.

A partida reuniu grandes nomes do futebol nacional, como Raí, Müller, França, Oséas, Cléber, Rogério Ceni, Carlos Miguel, Ricardinho, Beletti, Edmílson, Fábio Júnior, Alexandre,  Geovanni, Jackson, André, além dos gringos Maldonado e Sorín. No banco de reservas, Marco Aurélio comandava o Cruzeiro, enquanto Levir Culpi (que nos últimos anos havia dirigido Cruzeiro e Atlético Mineiro) comandava o São Paulo.

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O Cruzeiro, como era de se esperar, começou com tudo, e ameaçava o São Paulo constantemente. Rogério quase foi vilão, mas depois se redimiu em uma jogada quase dentro da pequena área. Mesmo com todas as tentativas, o primeiro tempo terminou sem gols.

Já a segunda etapa foi uma loucura desenfreada. O São Paulo tratou de buscar mais o jogo, o que deixou a partida mais aberta, e com mais alternativas. Aos vinte e um minutos, após grande cobrança de falta de Marcelinho Paraíba, o São Paulo abriu o placar, e uma grande vantagem. O gol deixou o Cruzeiro um tanto quanto desnorteado, tanto que em duas oportunidades, com Alexandre e Marcelinho, por pouco o Tricolor não mata a partida.

Mas existe aquela conversa do “quem não faz, toma”, sabe? Pois bem...

Aos trinta e cinco minutos, após boa jogada de Müller (peça vital em importantes conquistas do tricolor), Fábio Júnior fuzilou Rogério, e reacendeu as esperanças cruzeirenses.

Para o término do jogo, faltava tempo. Para o Cruzeiro, muito pouco tempo. Já para o São Paulo, uma eternidade.

Até que no final da partida, em uma jogada desastrosa da defesa do São Paulo, Rogério Pinheiro cometeu uma falta nas proximidades da área, e foi expulso. Na cobrança, Geovanni contou com os conselhos de Müller e a colaboração da barreira para mandar a bola para as redes.

A taça estava nas mãos do Cruzeiro. Mas ainda faltava tempo para Marcelinho cabecear de frente para o gol, e André fazer um milagre.

Após o apito final, milhões de cruzeirenses espalhados pelo Brasil soltaram o grito de campeão. Um dos gritos mais improváveis, porém, um dos maiores. Cruzeiro, tricampeão da Copa do Brasil, de maneira emocionante, sofrida e cirúrgica.

Até hoje, enquanto uma torcida lembra esse jogo com muito carinho e nostalgia, outra prefere não recordar. E esse é um dos componentes que torna uma partida inesquecível.

E você, qual sua lembrança daquele domingo?

Um abraço, e até a próxima!