JOGOS INESQUECÍVEIS

Brasil 0 x 1 Argentina - Oitavas de final da Copa de 1990

por Mateus Ribeiro

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A vida de torcedor não é um mar de rosas. Nem só de títulos e vitórias vive um fanático por futebol. Derrotas, algumas vezes, muito dolorosas, fazem parte do nosso cotidiano. E é sobre uma dessas derrotas que falarei aqui. Na verdade, sobre a primeira derrota que eu sofri nessa vida futebolística.

Eu era uma criança em 1990. Estava começando a entrar de cabeça no planeta bola, e um dos meus princípios era seguir tudo o que o meu pai falava sobre o esporte bretão. Inclusive a paixão que eu tive por alguns anos pelo time da CBF, herdei dele, um apaixonado pela camisa amarela.

Como era muito novo, lembro de pouca coisa. Mas lembro. Principalmente de Maradona, Caniggia e Dunga. O primeiro, pela jogada do gol. O segundo, pelo golpe fatal. Já o terceiro, lembro por ter visto pela primeira vez a busca por um culpado. Mal sabia eu que tal prática é procedimento padrão por parte dos brasileiros (em qualquer área, é bom que se diga, mas no futebol a perseguição atinge níveis absurdos).

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O comandante da nave brasileira era Sebastião Lazaroni, um treinador com um currículo longe de ser vistoso, e que tentou mudar o esquema tático da seleção, jogando no 3-5-2.

Após uma primeira fase apenas ok, com três vitórias magras pra cima de Suécia, Costa Rica e Escócia, o Brasil enfrentaria a Argentina nas oitavas. É fato que os campeões de 1986 tinham feito uma primeira fase bem abaixo da média (para não dizer desastrosa).

Ironicamente, a única partida que o Brasil atuou bem foi na derrota para a Argentina. O time criou bastante, mas não conseguiu converter em gol as chances criadas. Obviamente que o velho ditado "quem não faz, leva", iria fazer sentido mais cedo ou mais tarde.

Para tornar tudo mais dramático e cruel, o golpe de misericórdia em cima da terrível campanha brasileira veio no final da partida. Depois de fazer uma baderna no meio campo brasileiro, Maradona achou Caniggia livre. O ligeiro atacante deixou Taffarel falando sozinho e acabou com o sonho do tetra, que ali já completava duas décadas.

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O jogo contra a Argentina foi a cereja de um bolo amargo, que cheirava a vexame desde o começo da receita. Até os dias de hoje, é um dos episódios mais desprezíveis da recente história do futebol nacional.

Depois da eliminação, Dunga virou símbolo da geração derrotada, estigma que o volante conseguiu mandar para o espaço quatro anos depois, ao levantar a taça na Copa dos Estados Unidos.

Quanto ao criticado Lazaroni, ao lado de Dunga, continua sendo um dos nomes mais contestados a passar pela Seleção.

O grupo que tinha bons nomes, mas era desunido, não conseguiu fazer o que se esperava do Brasil naqueles dias. Mal sabiam eles que a decepção, as derrotas e a mediocridade iriam se tornar a marca registrada do futebol brasileiro. Tudo temperado com toneladas de soberba e prepotência.

E você, qual lembrança guarda desse jogo inesquecível?

Um abraço, e até a próxima.