JOGOS INESQUECÍVEIS

Vitória 5 x 4 Vasco (Quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1999)

por Mateus Ribeiro

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O dia 14 de novembro de 1999 é uma data muito marcante na história do Esporte Clube Vitória. Naquele domingo, o Leão enfrentou o Vasco, em partida válida pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1999.

Para quem não se recorda, o Brasileirão ainda era disputado no formato mata mata, e as fases finais eram playoffs, com três partidas. O time que tinha a melhor campanha jogava duas partidas em seus domínios. Como o Vasco havia feito mais pontos na primeira fase, o Vitória jogaria apenas a primeira partida no Barradão.

O Vitória era um time jovem, porém, cascudo. Já o Vasco estava vivenciando um dos melhores momentos de sua gloriosa história, e era o mais cotado para sair dos três embates classificado para a semifinal.

De fato, quem viu os primeiros minutos, imaginou que o Gigante da Colina realmente iria passar pelo Vitória sem maiores dificuldades, afinal, com dez minutos de jogo, o placar já apontava dois a zero para o cruzmaltino, com dois gols do sempre letal Viola.

Acontece que o time do Vitória tinha muito, mas muito sangue no olho, e antes dos quarenta do primeiro tempo, o jogo já estava 3 a 2 para os donos da casa, com gols de "Rei Artur" (que acertou uma belíssima cacetada de fora da área), Fernando e Tuta (aquele mesmo). Só que além de Viola, o Vasco tinha Donizete, que já no final da primeira metade deixou tudo igual.

O primeiro tempo, como pode se imaginar, foi eletrizante.O intervalo foi uma pausa para a torcida e para os jogadores. Imagino que tenha sido um um alívio para o narrador, já que nem o mais otimista dos profissionais imagina sair de casa para narrar seis gols em quarenta e cinco minutos. Nos dias de hoje, chega a ser utópico imaginar isso, já que o gol parece ter virado um pecado no futebol brasileiro...

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A segunda etapa manteve o nível de emoção lá em cima. Fernando marcou mais um, e o Vitória novamente estava na frente. Detalhe que o pênalti foi cometido por Mauro Galvão, algo que não era muito comum. A alegria durou pouco, e Donizete, após sair de uma confusão dentro da área, arrumou espaço e empatou a partida.

Não demorou muito, e Mauro Galvão cometeu mais um pênalti, dessa vez, colocando a mão na bola. Inacreditável, tal qual o resultado depois que Fernando converteu o pênalti, e marcou seu terceiro gol no jogo: 5 a 4.

Como se não bastasse, o Vasco ainda teve um pênalti, que o então jovem Fábio Costa (sim, esse mesmo que você está pensando) defendeu a cobrança de Juninho Pernambucano, que naqueles dias, era "só" Juninho.

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Fim de jogo. Um resultado surreal. E a partida poderia ter muitos mais gols, já que tanto Fábio Costa quanto Carlos Germano trabalharam muito.

Ambos os times tinham muita gente boa em seus elencos: além dos já citados no texto, tínhamos os laterais Rodrigo e Leandro, o polivalente Baiano e o atacante Cláudio pelos lados do Vitória, enquanto o Vasco ainda tinha Ramón, Odvan e Felipe. Isso sem contar os dois treinadores: o eterno Toninho Cerezo comandando o time baiano, enquanto o lendário delegado Antonio Lopes chefiava a nau vascaína.

Nos outros dois jogos dos playoffs, tivemos dois empates, o que fez com que o Vitória se classificasse para as semifinais do Brasileirão. Porém, o valente, aguerrido e talentoso time baiano ficou para trás, e a vaga para a final ficou com o Atlético Mineiro.

Pouco importa, na verdade. É claro que a vaga para final, e talvez o título, seriam marcantes na história do clube rubro-negro. Porém, essa partida, que está na memória de todo amante do bom futebol e na história do futebol nacional, é mais que um título, é um tesouro. No entanto, diferente daqueles tesouros que ficam escondidos, esse aqui você pode (e deve) aproveitar o quanto puder.

E você, quais memórias você guarda desse jogaço?

Um abraço, e até a próxima!