NOSSO AMADO DESTEMIDO

João Saldanha faria anos hoje. Que saudade sentimos dele, do comentarista mais sincero que nossa imprensa já teve em todos os tempos.

por André Felipe de Lima

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"Se eu fosse comprar a Copa Jules Rimet pelo seu valor real seria incapaz de desembolsar mais do que 500 dólares, porque é uma taça horrível, em termos de estética. Entretanto, por seu significado dentro do futebol mundial, estou disposto a dar minha vida para consegui-la, se for necessário". Hoje, dia em que o inigualável João Saldanha faria 102 anos, a frase proferida pelo próprio, sintetiza a alma valente, livre e independente que o movia. João "sem medo". Sim, sem medo de dizer o que lhe passava à mente. Se franqueza fosse palpável... ah, se pudéssemos tocá-la, bastaria cumprimentar Saldanha, homem distante de qualquer vestígio de loa ou bajulações, mas próximo, sempre, da verdade, do bem.

O gaúcho Saldanha amansador de burro bravo foi (e bem sabemos) "barrado" pela ditadura militar. Não pôde, devido à covardia dos poderosos, comandar suas domadas "feras" na Copa do Mundo de 70.

Para nós, Saldanha foi (e sempre será) — na verdade, na sinceridade e na amizade — a fagulha que possibilitou a chama do "tri". "Eu gosto de touradas e, modéstia à parte, entendo desse esporte". Jamais duvidamos, destemido Saldanha. E jamais deixamos de torcer por você seja lá em que canto ou nuvem do céu se encontre, e sempre integrado ao amálgama celestial do jornalismo esportivo, do qual faz parte o Nelson Rodrigues, seu doce amigo. Mande um abraço para ele, João. E vida que precisa seguir.