"A BOLA PELA QUAL ZICO ESPEROU NA CARREIRA INTEIRA"

por Luis Filipe Chateaubriand

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Arthur Antunes Coimbra, o Zico, é o jogador de futebol brasileiro mais completo que este escriba conheceu. Era bom para lançar e concluir, como Armando Nogueira bem definiu certa vez, arco e flecha. Passava e chutava de perna direita e de perna esquerda. Cabeceava como poucos. Batia faltas de forma divina. Sabia usar o calcanhar com perfeição. Driblava de forma vertical.

Uma estória pouco lembrada da carreira do “Galinho de Quintino” aconteceu em 1988: jogo pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã, o Flamengo venceu o Criciúma por 3 a 0.

No primeiro tempo, o Flamengo vencia de 2 x 0, dois gols de Bebeto. Com o segundo tempo em andamento, Bebeto recebe a bola na grande área, em seu lado esquerdo. Domina, ajeita o corpo e, mansamente, rola a bola para a meia lua, na entrada da grande área. Zico, um pouco atrás de onde a bola chegaria, corre, arma o chute e desfere uma “bomba” no ângulo direito do goleiro do clube de Santa Catarina.

Um gol fora de série!

No vestiário, comentando o gol, Zico fala sobre o passe de Bebeto:

- Esperei minha carreira inteira que alguém rolasse uma bola como essa, para fazer um gol assim!

A magia de futebol é composta de lances que marcam a nossa memória. Este aconteceu há 29 anos, mas, em minha mente, parece que aconteceu ontem. Bendito futebol, que nos dá a chance de ter recordações como essa!

*Luis Filipe Chateaubriand é estudioso das questões acerca do calendário do futebol brasileiro. Foi consultor do Bom Senso Futebol Clube para o assunto. Escreveu vários livros e artigos a respeito, entre os quais "Um Calendário de Bom Senso para o Futebol Brasileiro". Foi membro do Grupo de Trabalho de Reformas do Calendário da Confederação Brasileira de Futebol. Vascaíno, é um grande admirador do futebol de Zico, com quem sofreu durante a juventude.