GOL DE LETRAS

Criada em 2012 pelo goleiro Julio Ludemir e pelo vascaíno Écio Salles, a Festa Literária das Periferias (FLUP) promove debates e busca ser um espaço de formação de novos leitores e autores nas comunidades das grandes cidades. Se já éramos fãs do projeto, passamos a idolatrar ainda mais quando descobrimos que rola uma pelada inaugural todo ano. Sem pensar duas vezes, fomos conferir essa história de perto, no Vidigal, sede atual do evento.

A ansiedade era tanta que chegamos bem antes do combinado e logo nos identificamos com o campinho careca que seria palco da pelada inaugural. O duelo em questão seria entre Paranauê, a seleção carioca de escritores, e o time da comunidade Chácara do Céu.

- Paranauê é uma versão carioca do Pindorama, a seleção brasileira formada por escritores. Criamos uma seleção do Rio de Janeiro para facilitar a logística e poder jogar mais vezes - explicou Écio, organizador e titular absoluto.

Paredão do Paranauê, Julio Ludemir também chegou cedo e logo iniciou o aquecimento com as luvas. O curioso é que o goleiro, que também é um dos organizadores, precisou passar por todas as posições antes de se "encontrar".

- Meu pai era o dono da bola, do uniforme e dirigia o carro que levava todo mundo para a pelada, então tinham que arranjar uma vaga para mim, né? Me testaram em todas as posições e só no gol tive um bom desempenho! - lembrou com bom humor.

Como toda boa pelada, o clima amistoso que reinava antes do apito inicial desapareceu assim que a bola rolou. Representando uma classe, Écio e Julio precisavam honrar a camisa e fizeram bonito. Com três gols do Gledson Vinícius e um do atacante Vitor Castro, o Paranauê venceu e a resenha com a rapaziada da Chácara do Céu rolou solta no fim, com direito a muito churrasco e cerveja.

Vale destacar que a FLUP reuniu mais de 500 autores nacionais e internacionais e teve um público médio de 20 mil pessoas nos últimos cinco anos de evento.

- Já não somos vistos como mais um projeto social na favela, mas como uma plataforma para debater as grandes questões contemporâneas, que no nosso entender é a missão de um festival, principalmente se ele acontece na periferia! - comemorou Julio.

Para quem se interessar, a FLUP terá ainda mais dois dias imperdíveis de atividade.

Confira a programação:

14 de Novembro – Terça-feira
Rua Nova
13h – FLUP Parque
13h – Vidigal é Show!
13h30 – Concurso de poesia
13h45 – Esquetes teatrais "Não sofreu nada, porra!"
14h10 – Quis (Perguntas sobre os 40 anos de resistência contra as remoções de moradores do Vidigal)
 
Galpão da Horizonte
16h30 – Black poets matters
Saul Williams, com mediação de Roberta Estrela D'Alva
18h30 – Criança feliz
Renato Aragão, com mediação de Rodrigo Fonseca
20h30 – SLAM: Voz de levante
Exibição do documentário de Tatiana Lohman e Roberta Estrela D'Alva
 
Casarão Nós do Morro
22h – Final do FLUP Slam BNDES
 
 
15 de Novembro – Quarta-feira
Rua Nova

13h – FLUPP Parque
13h – Baile
14h – Desfile carnavalesco
15h30 – Encerramento (Anúncio do vencedor)
 
Galpão da Horizonte
16h30 – A ameaça que paira sobre todos nós
Sam Bourcier e Charô Nunes, com mediação de Michelle Steinbeck
18h30 – Saul Williams
20h30 – Final do Rio Poetry SLAM