FUT DELAS

texto: André Mendonça | vídeo e edição: Daniel Planel

“Futebol é pra homem”. O autor dessa frase é desconhecido, mas com certeza não engraxaria nem a chuteira das meninas do Fut Delas. O organizado grupo de 23 craques já dura quase sete anos e dá um banho em muita pelada de marmanjo, seja pelo nível técnico ou pela resenha regada a muita cerveja e carne.

Retribuindo o convite da boleira Fernanda Brasil, integrante do “conselho administrativo” da pelada, a equipe do Museu presenteou a craque com uma camisa e foi conferir de perto o futebol das meninas. Demos a sorte de ser na última quinta-feira do mês, quando elas organizam o churrasco e a resenha não tem hora para acabar.

- Nosso futebol começou em 2011 no Clube Federal, no Alto Leblon. Ficamos um tempo sem jogar, perdemos o horário lá e voltamos com tudo aqui no Clube Guanabara – disse Fernanda, nossa repórter por um dia.

Caderninho ajuda a organizar a pelada

Caderninho ajuda a organizar a pelada

Aos poucos, as meninas foram chegando e agregando na divertida resenha. Enquanto calçavam as chuteiras coloridas e prendiam a cabeleira, nossa repórter tratou de apresentar uma por uma. A atacante Joana Aguilar, por exemplo, dificilmente desfalca a pelada, mas revelou que precisou ficar um bom tempo afastada. O motivo foi mais do que nobre: o nascimento das suas duas filhas, que já demonstram uma paixão fora do comum pela bola.

Outra que mostrou ser uma fominha daquelas foi Julia Abreu. Craque na areia, no salão ou no society, a flamenguista carrega uma cicatriz no joelho direito, fruto de duas cirurgia para reconstruir os ligamentos cruzados. Nada que impedisse, no entanto, seu retorno em alto nível aos gramados.

- Segunda e quarta eu jogo pelo clube, toda quinta estou aqui com elas, sábado treino pela faculdade. Amo futebol e vou a todos os jogos do Flamengo!

Antes de pisar no gramado, com a marra no estilo Romário, emendou:

- É melhor atacar pra qual lado pra vocês filmarem meu gol? - cumprindo a promessa minutos depois.

Enquanto a pelada rolava, assistíamos aos lances e a sequência de dribles de Flávia nos chamou a atenção. No fim da partida, fomos descobrir que ela carrega o sobrenome Aloy e é neta de Hugo. Ele mesmo! Nosso parceiro, herói do Capri e, sem dúvidas, um dos maiores craques que já passaram pelo Aterro do Flamengo. Depois disso, nem precisamos perguntar de onde veio tanto talento.

- Comecei a jogar por incentivo do meu avô. Joguei cinco anos de futsal no Fluminense, depois mais cinco anos no Geração, na Praia de Copacabana, e agora estou jogando aqui. Vou trabalhar na quinta já pensando no futebol depois – revelou Flávia.

Quando deu a hora para o início da outra pelada, dos homens, as meninas imploraram por mais cinco minutinhos e ganharam. Depois disso, partiram em disparada para a mesa, encheram o copo e colocaram a resenha em dia saboreando o churrasco feito por Rodrigo Grande e Carla Oliveira.

Lá pelas tantas, tocou o telefone de Joana, a mãe artilheira. Era o marido querendo notícias.

- As crianças estão bem? Que bom! Vou ficar mais um pouco aqui no churrasco, tá? Te amo! – disse antes de desligar e continuar o papo.

A equipe do Museu da Pelada precisou ir embora, mas a festa estava longe do fim!