DESAMOR À JATO

por Zé Roberto Padilha

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Craques o Fluminense também fazia em casa. Xerém foi o primeiro ninho a criar em série este orgulho nacional. Tão fértil foram suas safras, que de seus laboratórios saíram Thiago Silva, Carlos Alberto, Diego Souza, Roger, Marcelo, entre tantos. Porém, antes de se tornarem obras raras de exportação, retribuíam em campo, com entregas e títulos, o amor à sua agremiação.

Quem os treinou tinha história para repassar, como Assis, Gilson Gênio, Edvaldo, Rubens Galaxe, Marinho, Carlinhos, crias da casa que repassavam as glórias de um clube tantas vezes campeão. Quando embarcaram, tinham o Fluminense no peito, na ponta da chuteira e prometiam voltar a defendê-lo um dia por gratidão.

Há algum tempo, substituíram por lá os ex atletas que desde Píndaro, Altair, Telê, Peri e Pinheiro abasteciam corações com histórias vividas de quem defendeu uma camisa que fascinava por sua disciplina. Em seus lugares, assumiram trogloditas de plantão, que vivem a insuflar músculos, bíceps e tríceps em máquinas Apolos a gerar atletas, não mais jogadores de futebol, movidos a Whey Protein.

E muito cedo, sem sequer serem batizados pelo pó de arroz, embarcam em contêineres frios para a Fiorentina sem dar uma só volta olímpica. Logo do clube que detém a Taça Olímpica de 1952.

Neste projeto Desamor à Jato, promessas são vendidas e mercadorias com prazos vencidas acolhidas. Como Digão, Airton, Bruno Silva e Nenê. Que são desorientados por Oliveiras, não mais comandados por quem, como Abel, aprendeu a amar as Laranjeiras.

No Desamor à Jato , mensagens do Intercept capturaram ligações afirmando que João Pedro será negociado. E que o Fred estará desembarcando de volta.

Melhor, então, Xerém trocar sua função social. Deixar de ser um ninho, que acolhe os recém nascidos, e se tornar a versão esportiva da Casa dos Artistas. Com todo o respeito, amparados e cuidados para suportar a solidão de serem visitados por seus torcedores apenas às terças e sextas.

Com público reduzido e em cômodos onde se apresentam, para arquibancadas e corações vazios, os clubes da segunda divisão.