DE SORDI FOI TITULAR DA LATERAL-DIREITA EM 58. RECONHEÇAM OU NÃO

por André Felipe de Lima

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A entrevista foi realizada em 1959, há exatamente um pouco mais de um ano após o Brasil conquistar a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. O repórter, mal intencionado, pergunta: “De Sordi, qual a sua maior emoção no futebol fora a conquista da Copa do Mundo de 1958?”. De Sordi responde: “Foi no jogo contra a França. após o hino nacional brasileiro. A orquestra executou a Marselhesa e o povo cantou, acompanhando-a. Quando findou, eu estava com os olhos cheios d'água”.

“Alguma decepção?”, destila o venenoso repórter. De Sordi desvia a conversa. A memória não lhe faz bem. Não pela conquista da Copa. Isso, sempre deixou claro ter sido sua maior alegria, mas os comentários injustos de parte da imprensa, não. Sua resposta às indagações de que era um covarde ou de que se recusara a entrar em campo na final era o silêncio.

Naquele dia da emocionante Marselhesa ecoando em todo o estádio, o Brasil derrotaria a França pelo placar de 5 a 2 e iria à final da Copa. Já De Sordi, lateral-direito titular absoluto, ficaria na reserva, cedendo a vaga para Djalma Santos, que apenas com o jogo contra os suecos sairia consagrado do mundial como o melhor lateral-direito da competição. Quanto ao De Sordi, restou a inexplicável perseguição de parte da imprensa com a estapafúrdia tese de que se acovardara após uma crise nervosa que, supostamente, teria sido diagnosticada pelo médico da delegação Hilton Gosling . Uma balela que durante décadas a imprensa acolheu como “verdade”. De Sordi sempre se sentiu incomodado com a acusação, mas preferiu uma — recorrendo ao estilo nelsonrodrigueano — eloquente indignação silenciosa.

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Bellini, companheiro de De Sordi no escrete de 58, saiu — duas décadas após o título da Copa — em defesa do lateral: “De Sordi, machucado, chegou a ser deslocado para ponta, mas terminou a partida como lateral-direito porque a França também teve o zagueiro Jonquet machucado, que acabou na ponta-esquerda. Daí De Sordi ter voltado à lateral”.

Sacrificado pelo esquema de Feola contra os franceses, De Sordi agravou a contusão, logo não teve a menor chance de entrar em campo na final. Quando perguntavam se o laudo do médico Gosling era verdadeiro, sabiamente se calava.

O ídolo estava acima de qualquer dúvida sobre sua moral como jogador e craque, que foi com sobras. A ponto de cronistas esportivos, torcedores ilustres e ex-jogadores do São Paulo o escalarem como lateral-direito do “time dos sonhos” da história do Tricolor Paulista, após uma enquete realizada pela revista Placar em 1982.

Nilton De Sordi é um dos mais importantes jogadores da história do São Paulo FC. É o terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa tricolor, ficando atrás apenas dos goleiros Rogério Ceni e Waldir Peres.

Hoje, dia 14, o grande ídolo faria anos.