DA PELADA AO PENTA – DA ESCOLINHA AO 7 X 1

por José Dias

 Literalmente eu era o dono da bola

Literalmente eu era o dono da bola

Muitas topadas faziam com que a cabeça do dedão fosse para o espaço, permitindo ao Seu DIAS Pai, economia na compra de sapatos. Sim, de tempos em tempos, do par de sapatos, só usava um, permitindo que a duração fosse em dobro.

Fica explicada a razão pela qual a turma dessa época aprimorou o uso da sua perna contrária, isto é, enquanto o dedão do pé direito ficava enfaixado, o uso do pé esquerdo tornava-se obrigatório, fazendo com que a próxima topada fosse com o pé esquerdo.

No pátio da escola, cimentado ou terra batida, durante o recreio ou qualquer intervalo, lembra o seu tempo de peladeiro mor, que não podia ter uma chapinha à vista que, logo provocava os amigos desafiando-os para um “racha”.

O bagaço de uma laranja era usado para “tira teima” entre alunos, que disputavam quem fazia um numero maior de embaixadinhas e, também, para breves disputas, pois a durabilidade do artefato era muito curta. Literalmente o bagaço, acabava de “esbagaçar”.

Como cantava o humorista LILICO – TV Globo – “Tempo bom, não volta mais”, enquanto tocava o seu tambor.

As meninas, por sua vez, aproveitavam seus horários de folga, jogando “queimada”, o que lhes servia como uma atividade física intensa.

Fora da escola, em qualquer terreno baldio, “careca”, em aclive ou declive, com balizas, ou não, era realizada a tradicional pelada da tarde.
Enquanto o número era insuficiente para formar dois times, praticava-se uma “linha de passe”, com regras definidas, que consistia na troca de passes entre os participantes, usando uma das traves – normalmente bambus amarrados de qualquer jeito -, com um goleiro. A bola não podia tocar o chão.

Seria o precursor do “altinho”, jogado nas praias?

Uma outra atividade praticada era a denominada “roda de bobo’, que consistia na troca de passes dos participantes formados em um círculo. O que fazem até hoje.

Quando o número era considerado suficiente, os times eram organizados depois de um par ou ímpar, fazendo com que ficassem equilibrados. Numa pelada que se preze, não existe o 0 x 0, sendo sempre elástico o resultado ao final.

Uma outra característica da verdadeira pelada consiste no fato do drible ser praticado à exaustão. Quando de posse da bola, o jogador partia em direção ao “gol”, incentivando, dessa forma a prática do drible, mesmo que em detrimento do passe.

Ressalte-se que a bola, que tanto poderia ser de borracha ou de couro, com câmara de ar com birro que depois de cheia era amarrada e escondida por baixo e fechada com “atacador” – tira de couro -, como se fosse uma sutura num corte de pele. Quando batia na cabeça de algum jogador, doía. Era uma festa quando uma bola “argentina” era usada – bola moderna com válvula -, igual as usadas nos dias de hoje.

Era o máximo!

Tanto uma quanto a outra, quando chovia pesava “uma tonelada”.

Resumindo: Tanto jogava-se descalço, de tênis ou chuteiras; com bolas de todo o tipo – ou arremedo de bolas -; em terrenos baldios em aclive ou declive; sem a presença de um árbitro – as decisões eram acatadas como que por aclamação -, se a bola saiu, aplicava-se a teoria de quem chutou uma bola numa dividida tinha a sua posse. Faltas, só do “pescoço para cima”.

E, para finalizar, tirava-se par ou ímpar, também, para definir quem jogaria sem camisa.

 Sem elas não existiriam as peladas

Sem elas não existiriam as peladas

E, para terminar, com a modernidade, os terrenos baldios foram “exterminados” e, em seu lugar, modernos condomínios foram erguidos e, com eles, com a ajuda dos computadores, celulares, tablets, Iphones, e outras pragas, fizeram surgir a geração: DA ESCOLINHA AO 7 x 1

Entre várias alegações e justificativas, os novos entendidos em futebol, buscam razões para entender o que aconteceu por ocasião do desastrado resultado obtido pela seleção brasileira, na malfadada participação na Copa do Mundo, em 2014, realizada no outrora país que dominava o futebol mundial.

LEMBRAM?

Eu lembro!

Mas, com certeza, para os dirigentes, para a maior parte da mídia, para muitos dos profissionais que se “acham” os donos da verdade, parece que não!

Enquanto isso, nas Escolas, em vez dos “rachas”, das embaixadinhas, da “roda de Bobo”, da “Queimada”, nossos jovens perdem seu tempo dedilhando suas maquininhas infernais ou na prática das “rodinhas”, formadas por meninos e meninas, ao som de músicas (?), também infernais, mexendo com a bunda, de um lado para outro, numa coreografia indecente, formando o tal do “quadradinho”.

A imagem mostra o grau de insanidade daqueles que obrigam crianças ainda em processo de formação – corporal e mental -, a agirem como mais desenvolvidas. Não falo como adultos, mas sim como crianças com possibilidades reais de executarem ações adequadas às suas idades.

Não vou me estender em demasia, apenas esperando que cada um possa concluir da veracidade ou não do que apregoamos.

Chuteiras, bolas oficiais, balizas com medidas desproporcionais, ensinamentos impróprios, quando o certo seria: exercícios naturais, do fácil para o difícil, do simples para o complexo, incentivando-os à busca de soluções à medida que as dificuldades surjam.

Acreditamos que estão tirando da criança a oportunidade de criar, ela própria, sua individualidade.

Uma demonstração da influência da modernidade na prática no futebol brasileiro, resume-se: se o Brasil não fosse o país promotor da última Copa do Mundo, não seria cabeça de chave, pois na ocasião da distribuição nos grupos, ocupava a 13ª colocação no ranking da FIFA. Hoje, sem consultar, acredito que esteja em 6º ou 7º lugar. Depois da Copa América, temos dúvidas qual será sua posição.

INACREDITÁVEL, né!

MAS, COMO TEMOS QUE COPIAR O FUTEBOL EUROPEU!