CRAQUES INESQUECÍVEIS

por Mateus Ribeiro

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Enzo Francescoli é um dos maiores jogadores uruguaios de todos os tempos. Jogador clássico, de rara técnica, era chamado de Príncipe, pela elegância de seu futebol.  Um típico camisa 10, que fazia gols como um verdadeiro 9.

Conhecido por ser um dos grandes nomes do River Plate, passou por algo similar ao que acontece com Messi: apesar de todo o seu potencial, não conseguiu fazer a sua seleção vencer um Mundial. Enzo ainda conseguiu conquistar três vezes a Copa América, mas não foi o suficiente para conquistar o coração de alguns torcedores uruguaios. Vale lembrar também que quando Francescoli surgiu para o futebol, a Celeste passava por um período que não era exatamente muito promissor.

Francescoli  começou sua carreira no Montevideo Wanderers, do Uruguai, que não ganhava um título uruguaio desde os anos 30. Logo em sua primeira temporada, ajudou o clube alvinegro a conquistar o vice campeonato. Alguns anos depois, em 1983, o River Plate comprou o jovem talento, pagando menos de meio milhão de dólares (algo impensável nos dias de hoje, onde qualquer cabeça de bagre sai da base valendo zilhões de euros).

Começou a escrever a sua história no clube argentino, marcando gols e fazendo grandes jogadas. Porém, o primeiro título argentino viria apenas em 1986, ano, aliás, em que ele participou de sua primeira Copa. Porém, a lembrança mais marcante do Uruguai nesse Mundial foi a cacetada que a Celeste levou da Dinamarca: 6 a 1.

Após a Copa, foi para o Racing Paris, na época, o clube mais tradicional da capital francesa, mas que estava longe de seus dias mais gloriosos, e via o então jovem PSG começar a ganhar espaço. Francescoli se tornou ídolo do clube, que durante pouco tempo, mudou de patamar, graças ao investimento financeiro do grupo Matra. Infelizmente, mesmo com todo o dinheiro do grupo e o talento de Francescoli, o clube não conseguiu nenhum título durante a passagem do  Príncipe por lá.

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Em 1989, foi para o Olympique de Marseille, onde ficou apenas uma temporada. Além de ter ajudado o clube a conquistar Campeonato Francês, se tornou ídolo de um rapaz chamado Zinedine Zidane. No ano seguinte, depois de mais uma Copa do Mundo pra se esquecer, aproveitou que estava na Itália e assinou com o ...Cagliari!

Como era de se esperar, mesmo em um time modesto, cumpriu bem o seu papel, afastando o clube do rebaixamento, e conseguiu levar a equipe para uma Copa da Uefa. Apesar de nenhum título, é extremamente respeitado pela torcida.  Saiu em 1993, e foi para Turim. Você já deve ter imaginado que toda a genialidade do craque fez com que ele parasse na Juventus, mas em mais uma transação inimaginável nos dias de hoje, foi atuar no Torino. Atuou apenas por uma temporada, mas deixou boas lembranças.

Então, com trinta e três anos, sua carreira parecia que seria encerrada com aquela sensação de “poderia ser melhor”. Porém, estamos falando de Francescoli. Toda a sua classe, visão de jogo e faro artilheiro não poderiam passar em branco. Faltava a cereja do bolo.

O ápice de sua carreira se deu na sua casa, o River Plate. Foi na sua segunda passagem pelo Monumental de Nuñez (palco da final da Libertadores 2018) que o Príncipe viveu os seus melhores momentos.

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Em 1996, venceu a Copa Libertadores, comandando um time que também tinha Sorín, Crespo, Almeyda, Ortega e Gallardo. Na final do Mundial, o River enfrentou a Juventus, e enfim, Zidane conseguiu enfrentar seu ídolo. Aliás, Zizou disse certa vez que Francescoli era um deus, e o filho do craque francês chama se Enzo, em uma homenagem ao jogador uruguaio de alma argentina. Acho que isso fala um pouco sobre o tamanho de Francescoli, não?

Até mesmo seus últimos jogos, disputados no final de 1997, foram épicos: em menos de uma semana, em duelos contra os gigantes São Paulo e Boca Juniors, o River conquistou a Supercopa da Libertadores e o Torneio Apertura.

Pouco tempo depois, se aposentou dos gramados, mas não da nossa memória e do nosso coração.

Para terminar, fica meu desejo de que do mesmo jeito que seu nome influenciou milhares de pais Brasil afora nos últimos anos, seu futebol influencie os milhões de Enzo que apareceram no nosso país.

Um abraço, e até a próxima!