CRAQUES DAS LENTES

Com enorme gratidão, continuamos recebendo lindos registros de parceiros espalhados pelo Brasil! Fotógrafo de “carteirinha” desde 79, quando conseguiu seu registro profissional, o flamenguista Marcos Tristão é a fera da vez! Com duas coberturas de Copas do Mundo e duas de Olimpíadas no currículo, o craque tirou suas primeiras fotos ainda na infância, por influência do saudoso Alaor Barretto, grande amigo do seu pai. A partir daí, o sucesso foi questão de tempo.

- Comecei a fotografar com a Nikon do meu pai. Depois, mesmo já tendo o registro como fotógrafo, ainda me formei em jornalismo.

Na grande imprensa trabalhou no Jornal O Dia e no Jornal O Globo, mas passou grande parte da carreira se dedicando aos “freelas”. A Copa de 94, nos Estados Unidos, foi sem dúvida um dos momentos mais marcantes da carreira de Tristão.

Ainda nas Eliminatórias para a competição, no famoso duelo entre Brasil e Uruguai no Maracanã, o fotógrafo registrou o exato momento em que Romário passou pelo goleiro uruguaio e carimbou o passaporte para os Estados Unidos. Embora o registro tenha sido “o resumo do jogo”, como o próprio fotógrafo define, o jornal optou por não publicá-lo.

- Essa foto foi publicada no Jornal dos Fotógrafos e o Romário também tem ela, não sei por que não foi publicada.

Escalado pelo Jornal O Dia para cobrir a Copa de 94, Tristão revelou que só tinha 15 minutos para fazer as fotos das partidas. O restante do tempo era dedicado ao, na época, longo processo de escanear e enviar as imagens para o Brasil. A correria era tanta que os fotógrafos se ajudavam, mesmo sendo de veículos diferentes.

De tanto ajudar o parceiro Sérgio de Souza, da Manchete, nesse processo de enviar as imagens para o Brasil, Tristão ganhou um belo presente do fotógrafo. Ao final do torneio, Sérgio deu a foto em que Bebeto faz a famosa comemoração “embala neném”, após o golaço contra a Holanda.

O presente dado por Sérgio de Souza

O presente dado por Sérgio de Souza

- O Jornal O Dia quis me premiar por esse registro, mas eu não aceitei de jeito nenhum! Costumo dizer que a foto é minha legalmente, pois eu tenho o negativo e tudo mais, mas moralmente não é minha.

Ronaldo brilhou na Copa de 98.

Ronaldo brilhou na Copa de 98.

Além da Copa do Mundo dos Estados Unidos, Tristão também cobriu o Mundial da França e as Olimpíadas de Atlanta e, mais recentemente, a do Rio de Janeiro. Esse último, sem dúvida, um evento muito mais tranqüilo do que a Copa de 94, devido aos avanços tecnológicos e por estar “jogando em casa”.

Os avanços tecnológicos, aliás, proporcionaram a facilidade de tirar fotos pelo celular, o que deixou todos “iguais” e causou uma banalização da fotografia. A diferença, segundo Tristão, está no olhar fotográfico.

- Hoje em dia todos têm uma câmera na mão, mas nem todos têm aquele olhar fotográfico apurado, que faz muita diferença.

Como um bom fotógrafo, Tristão vê a jogada antes dos demais boleiros e se utilizou muito dessa habilidade para parar os atacantes nos seus tempos de goleiro e zagueiro. Hoje em dia, dificilmente bate uma bolinha, mas lembra com carinho de uma pelada inesquecível.

- Participei do último jogo do antigo Maracanã. Meu time tomou uma goleada histórica, mas isso é o de menos! Eu tenho o orgulho de dizer que joguei no Maracanã! – finalizou.

No início da carreira, Ronaldinho Gaúcho já foi alvo dos cliques de Tristão

No início da carreira, Ronaldinho Gaúcho já foi alvo dos cliques de Tristão