CRAQUES DAS LENTES

por André Mendonça

Renan Cepeda

Renan Cepeda

Nossos parceiros fotógrafos seguem enviando lindos registros sobre o futebol. A fera de hoje é Renan Cepeda, responsável por uma sequência de fotos, inexplicavelmente, inédita! A partida era Brasil e Uruguai, no dia 19 de setembro de 1993, no Maracanã, pelas Eliminatórias da Copa de 94.

Com uma bela exibição de Romário, autor dos dois gols brasileiros, a seleção comandada por Parreira carimbou o passaporte para o Mundial e, mesmo sem estar credenciado, Renan Cepeda fez uma sequência de fotos que entraria para a história.

- Estava trabalhando pela Folha de S.Paulo e meu credenciamento só valia para os jogos da CBF e da federação carioca. Como o jogo era da FIFA, tive que trabalhar da extinta geral, bem distante do gramado.

Veja o golaço de Romário

Mesmo com as condições adversas, aos 38 minutos do segundo tempo, com o olhar diferenciado do fotógrafo, percebeu uma escapada de Romário e apontou a câmera para o Baixinho. Segundos depois, Mauro Silva lançou em profundidade para o atacante, que driblou o goleiro Robert Siboldi e marcou um golaço quase sem ângulo.

- Quando ele recebeu o lançamento eu já sabia que vinha coisa boa! Ele era fera!

O resultado foi uma linda sequência de quatro fotos de um dos lances mais emblemáticos de Romário com a camisa da seleção. A obra de arte, no entanto, jamais foi publicada no jornal.

- Cheguei na redação e mandei a sequência de fotos para São Paulo, mas eles preferiram dar uma da comemoração. Eu fiquei um pouco frustrado e peguei o negativo pra mim! Guardo essas fotos com muito carinho até hoje! São inéditas!

Peladeiro de Santa Teresa na infância, Renan sempre foi apaixonado por futebol, embora o esporte nunca tenha sido sua especialidade na hora de fotografar. Os rachas na infância só tiveram a atenção dividida quando o menino ganhou, aos 11 anos, uma câmera Olympus Trip do seu pai, fotógrafo amador.

Depois desse dia, passou a rodar pelo Rio de Janeiro atrás de bons registros. Foi num desses passeios, inclusive, que Renan conseguiu seu primeiro estágio, de forma romântica, como ele próprio define:

- Estava rolando uma briga entre moradores de Copacabana e funcionários do Detran, que estavam aplicando multas abusivas. Eu fiz umas fotos e liguei para o Jornal do Brasil. A equipe deles chegou tarde e eles usaram as minhas fotos na primeira página!

Fotógrafo do Jornal do Brasil encarregado de fazer os registros daquela confusão em Copacabana, Carlos Hungria convidou Renan para conhecer a redação e lá teve contato com grandes feras do jornalismo. Como forma de agradecimento, foi convidado para estagiar no jornal e, alguns anos depois, foi efetivado.

Renan Cepeda

Renan Cepeda

Posteriormente, passou a atuar como freelancer na Folha de S.Paulo, fez registros para as Revistas Abril e, hoje em dia, com mais de 30 anos na profissão, tem se dedicado aos próprios projetos autorais, sobretudo no mercado de artes. Está prestes a lançar um projeto com fotografias infravermelhas de paisagens ao redor do mundo. Embora o fotojornalismo tenha ficado um pouco de lado, Renan garante que foi a maior escola na sua carreira.

- Eu fazia de tudo, desde parte cultural, comportamento, até chacinas. Tudo no mesmo dia! O fotojornalismo é a melhor escola de fotografia, porque são fotos com informação e temas variados.

Se a paixão pela fotografia continua intacta, o amor pela bola também continua o mesmo.

- Jogo minhas peladas no Clube dos Macacos com uma rapaziada mais nova e sou sempre um dos primeiros a ser escolhido!