CRAQUES DAS LENTES

Dando sequência à série de fotógrafos que nos enviam lindos registros sobre futebol, o Museu da Pelada anuncia hoje Andre Arruda. Apesar de admitir que “não joga futebol em respeito à bola”, por ser um dos piores jogadores do mundo, o parceiro fez um clique de cinema em uma praia em Caiçara do Norte, no Rio Grande do Norte.

Andre Arruda

Andre Arruda

O curioso é que a foto da pelada não foi programada, visto que ele estava na região para um outro projeto, o livro “Cem Coisas Que Cem Pessoas Não Vivem Sem”. Como o próprio nome diz, Andre buscou figuras folclóricas pelo Brasil e perguntava para cada uma qual era o objeto essencial na vida delas.

- Caiçara do Norte é uma região repleta de pescadores e fui fazer um registro de Ariri. Ele disse que não vivia sem barco. Eu já havia feito o registro do pescador, mas vi essa pelada e fiz o registro. A luz daquela região é uma das melhores do Brasil.

Lançado em maio deste ano, o livro reúne 200 fotos e demorou nove anos e meio para ficar pronto. De acordo com Andre, foi um dos trabalhos mais árduos da sua carreira.

Registro de Ariri, o pescador de Caiçara do Norte, e o barco, objeto essencial em sua vida

Registro de Ariri, o pescador de Caiçara do Norte, e o barco, objeto essencial em sua vida

Vale destacar que a paixão do craque pela fotografia por muito pouco não virou pesadelo. Durante a infância, Andre costumava brincar com a máquina fotográfica do seu pai, até o dia em que a deixou cair e ela parou de funcionar. Depois disso, deixou a fotografia de lado e passou a se interessar pela música e por esportes como skate e bicicleta.

A paixão pela música se intensificou e o menino passou a se dedicar, chegando a tocar quase 8h por dia, sem contar com as horas gastas com estudo e pesquisas. O banho de água fria ocorreu quando foi convidado para fazer sua primeira gravação e não gostou do resultado, por não ser o seu estilo musical preferido.

- Música é alma e eu não gostei daquilo, foi um choque de realidade! Hoje em dia eu toco baixo, mas costumo dizer que é por questões terapêuticas, para fazer uma higiene mental -– brinca.

A partir daí, passou a cursar Jornalismo e, numa “prosaica aula de faculdade”, como ele mesmo define, o professor mostrou um ensaio fotográfico de Cartier Bresson que lhe despertou novamente a paixão pela fotografia. No mês seguinte, adquiriu uma câmera usada e voltou a fotografar.

Após se formar em 91, começou a trabalhar no Jornal do Brasil, onde ficou até 98, quando se transferiu para o Jornal O Globo. Ficou dois anos no novo emprego e, de 2000 para cá, tem se dedicado aos projetos pessoais e aos trabalhos de freelancer. Até agora, foram dois livros de Carnaval publicados (Blocos de Rua do Carnaval do Rio de Janeiro), muitos registros de moda e muitos livros de galeria de arte, além do já citado “Cem Coisas Que Cem Pessoas Não Vivem Sem”. Neste ano, ganhou o prêmio de melhor capa de revista do ano, pela Revista Época.

O próximo livro a ser lançado, segundo Andre, promete ser polêmico. Ainda sem data para ser publicada, a obra “Fortia Femina: aceitação e preconceito” terá 128 páginas com registros de mulheres que fazem bodybuilding, ou seja, uma musculação mais pesada.

- Gostaria de fazer algo diferente sobre a beleza feminina. Comecei a fotografar em 2002, sem muito compromisso, e vi que isso poderia render uma coisa bacana. O bodybuilding feminino está deixando de existir e essa obra pode virar um documento histórico – ressalta o botafoguense.

O Botafogo, aliás, é definido pelo fotógrafo como um time diferenciado, por ser um dos poucos a ter como ídolo um jogador clinicamente inapto. O lado mítico e folclórico do futebol é o que mais tem despertado a atenção de Andre ultimamente. Embora não seja um torcedor fanático, ele afirma que se interessa principalmente nos momentos decisivos e acompanhou toda a saga do Botafogo até conquistar a vaga para a Libertadores do ano que vem!

- Não gosto de assistir às primeiras rodadas, mas vi todos os jogos do segundo turno. O Botafogo estava mal na tabela e conseguiu uma virada incrível, alcançando o topo.

Mais obras do fotógrafo podem ser encontradas no site: http://andrearruda.minestore.com.br/