CRAQUE DAS LENTES

texto: André Mendonça | fotos: Fábio Teixeira

Fábio Teixeira

Fábio Teixeira

Copa Libertadores, Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Carioca, Paulista e até seleção brasileira. O currículo bem que poderia ser de um grande jogador, mas trata-se do são-paulino Fábio Teixeira, um craque das lentes. Há 20 anos fazendo os mais belos registros, o premiado fotógrafo dedicou os últimos cinco à beira do gramado.

Nascido em Piracicaba, no interior de São Paulo, Fábio vivia correndo atrás da bola no campinho careca próximo a sua casa. Embora não contasse com o dom de grandes craques, revelou que marcava e corria como poucos, habilidades que lhe garantiram a lateral direita nas peladas.

- Eu dava o tapa na frente e cruzava, mas se tivesse que driblar alguém me complicava todo – lembrou com bom humor.

Ainda na adolescência, aos 18 anos, tomou gosto pela fotografia e começou a trabalhar como assistente de estúdio ao lado de renomados fotógrafos. Além disso, acompanhava os profissionais para registrar casamentos, por exemplo, e ajudava a revelar as fotos no laboratório.

- Nessa época pude aprender muita coisa com aquelas feras. Digo que foi o maior curso de fotografia que eu fiz!

A partir daí, Fábio deslanchou. Como freelancer, trabalhou no Jornal Extra, no UOL, Folha de São Paulo, Jornal O Dia e agora presta serviço para agências internacionais, sobretudo em jogos da Libertadores. Como os grandes craques, o bom fotógrafo precisa estar sempre de olho no lance, antevendo as jogadas, para os melhores registros. Por isso, o Fabio assiste aos jogos com outro olhar, com o intuito de decifrar cada jogador.

Com essa técnica, foi escalado para cobrir a reabertura do Maracanã, no duelo entre Brasil e Inglaterra em 2013, um dos pontos mais altos da carreira. Antes disso, no entanto, precisou “roer muito osso” em partidas no interior de São Paulo. Uma delas, inclusive, ficou marcada por um descuido que quase gerou a sua expulsão do gramado.

- O Rio Branco de Americana jogava contra o São Paulo, em Americana, pelo Campeonato Paulista e, sem querer, eu acionei por três vezes o flash da câmera, o que é proibido. O jogador do Rio Branco me xingou, reclamou com o juiz, alegando que eu estava atrapalhando por má fé. A verdade é que a câmera estava com defeito no circuito, mas eu quase fui expulso. Fiquei com tanta vergonha, que até guardei minha câmera – lembrou aos risos.

Vale destacar que Fábio toca outros projetos além das quatro linhas. O mais recente, ainda em produção, conta a trajetória dos meninos que sonham em se tornar jogadores de futebol. Por isso, há quase dois anos, o fotógrafo acompanha o cotidiano deles.

- É um trabalho de formiguinha porque é complicado sair entrando nas comunidades. Eu vou na essência do futebol deles. É aquele futebol de rua, no beco das favelas, onde eles gostam mesmo de jogar.

Quando chegar ao fim, o trabalho tem tudo para encabeçar a lista dos que deram mais orgulho para Fábio. Por enquanto, ela é liderada por um ensaio que durou um ano e cinco meses e denunciava o trabalho infantil no Cemitério do Caju.

- Aquelas crianças não sabiam ler, nem escrever. A denúncia me rendeu dois prêmios ano passado, um na Colômbia, em Medelín e o outro pelo MPT (Ministério Público de Trabalho) de Jornalismo.

A resenha só chegou ao fim porque um carro já esperava Fábio na porta da redação para levá-lo ao duelo entre Botafogo x Nacional-URU, pela Copa Libertadores.