O FUTEBOL DESANDOU

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

IMG_3322.jpeg

Amigos, se vocês me acham ranzinza, reclamão, rabugento, ácido, nostálgico e saudosista vou logo avisando para não lerem essa coluna porque não estou nada bem. Acabei de sair de Fluminense x Ceará. Vocês queriam que eu estivesse como? Não existe esquema mágico se o nível dos jogadores for abaixo da média. E está abaixo da média, mas muito abaixo da média! Sério, vocês assistiram Palmeiras x Inter, Botafogo x Cruzeiro, Corinthians x CSA e Chapecoense x Atlético-MG? Dá para ficar de bom humor após esse show de horrores e de mediocridade?

Só o Flamengo jogou ofensivamente, mas precisamos vê-lo contra um adversário melhor do que o Goiás. Tomara que a filosofia de buscar o gol incessantemente seja mantida por Jesus, afinal só ele salva, Kkkk!!!! Se bem que o Nordeste também vem salvando porque até agora, para mim, os times mais leves do campeonato são Bahia e Fortaleza.

E para piorar o que já está ruim vem esse VAR. Pelo amor de Deus, alguém nos explique os critérios usados! A decisão final não era para ser do árbitro? Claro que isso não está acontecendo. O jogo do Fluminense x Ceará teve 10 minutos de acréscimo!!!! A torcida comemora e “descomemora”, abraça e desabraça. O futebol desandou.

Para piorar minha irritação vejo a CBF levando os campeões de 94 para comemorar o título com uma pelada na Granja Comary. Claro que com tudo pago, passagem, hospedagem etc etc etc. Tem que pagar mesmo! Mas por que convidaram os campeões de 70 para a final da Copa América sem dar nada, apenas a entrada do jogo? Porque o presidente da CBF, Rogério Caboclo, deve imaginar que essa turma dê mais audiência.

IMG_3602.jpeg

O astro da festa foi Carlos Alberto Parreira, para mim o maior responsável pelo engessamento do futebol brasileiro. Foi campeão, e daí? Se valeu de dois definidores extraordinários. E hoje virou o que virou, faz um gol e se protege. Mas a imprensa comprou essa historinha e ninguém contesta. Na entrevista, ele entregou de bandeja para Tite a receita para voltarmos a ser campeões mundiais: jogar com a faca nos dentes.

A seleção virou BOPE? Só falta os soldados, quer dizer os jogadores entrarem em campo fardados e darem continência aos professores! Parreira, nossa seleção já foi uma tropa de elite, sim, mas não essa que vocês continuam incentivando e valorizando. O Tite não precisa de seus conselhos porque já segue a sua cartilha, assim como o Fábio Carille, do Corinthians, segue a dele e assim por diante.

As seleções de 58, 62 e 70 nunca jogaram com a faca nos dentes, mas posso garantir que intimidavam os adversários. E intimidavam com arte. Nossas armas, a caneta, o lençol, a bicicleta e a folha seca eram aparentemente inofensivas, mas a história provou o seu efeito devastador.

SAUDADES DE JOÃO GILBERTO E MENDONÇA

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

IMG_3322.jpeg

No espaço de poucos dias perdemos dois artistas, um da bola e outro da música, Mendonça e João Gilberto. Dois homens tímidos, de poucas palavras, e com talentos extraordinários, de pura arte.

A habilidade de um estava nas mãos, a do outro nos pés. Um foi meu parceiro de time e o outro de toca-discos. Um criou a Bossa Nova, o outro o Baila Comigo, apelido do drible aplicado em Júnior Capacete. Um foi homenageado com um minuto de silêncio no final da Copa América, o outro, não.

A reverência não poderia ser feita aos dois? Claro que sim! Seria a chance desse torneio homenagear o futebol-arte, talvez a única chance. Tudo bem que João Gilberto levou o nome do Brasil para o exterior, mas no Maracanã, me perdoem os fãs do autor da belíssima “Wave”, Mendoncinha fez chover! Mesmo quem não torcia para o Botafogo se encantava com a magia do ídolo, que morreu pobre e lutando contra o vício.

Mendonça não era queridinho da imprensa, nasceu e morreu em Bangu. Atuamos juntos no chamado time do camburão, do Botafogo, e jogou uma barbaridade em nossa vitória contra o Cruzeiro, em Minas. Meu Deus, como jogava bola o Mendoncinha!

Mas pensando bem, nem ele, nem João Gilberto deveriam ser homenageados nessa Copa América. Essa competição não os representava, com jogos medíocres e organização de quinta categoria. Se estivesse na torcida, João Gilberto teria pego seu banquinho e seu violão e se mandado.

Me perdoem os trocadilhos musicais, mas o nosso futebol virou o “Samba de uma nota só” porque temos um técnico “Desafinado”.

O que foi o Tite tentando se desvencilhar de Bolsonaro e, em seguida, dando um caloroso abraço no presidente da CBF??? CBF que ele tanto achincalhou quando estava do outro lado do balcão!!!!

Pergunto a todos os dirigentes e políticos que estavam pegando carona na cerimônia: jogaram “aonde”, vestiram a amarelinha quantas vezes, assinaram quantas súmulas??? É uma vergonha!!!

Vocês acreditam que a CBF me convidou para assistir à final da Copa América, mas eu teria que arcar com a passagem aérea? Moro em Florianópolis e a maioria dos campeões de 70 também mora fora do Rio. A ideia era reunir esse grupo. A CBF ganha milhões e não consegue comprar passagem para os convidados? Pede para fechar!!!

Mas Tite e seus pupilos foram campeões e isso é o que importa! Daniel Alves foi o melhor do torneio porque deu um balãozinho seguido de um passe olhando para o lado oposto, é muita pobreza!!! Mas, viva o futebol brasileiro!!!

Hoje quem dá um caneta vira rei e o gol é comemorado com a dança do pombo. Me perdoem João Gilberto e Mendonça, mas os tempos mudaram. A garota de Ipanema virou Anita, a bossa é outra, mas como dizem por aí, aceita que dói menos, PC, e “Chega de Saudade”!!!

EMOÇÃO E RISOS NA PELADA DE 70 ANOS

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

b3eab2b9-4f8f-4c64-8f9c-9ab173ce45ca.jpeg

Domingo passado, os amigos me prepararam uma surpresa para comemorar o meu aniversário de 70 anos. A ideia era ficar quietinho, em casa, na minha, mas acabei topando o convite de ir ao Caldeirão do Albertão, no Grajaú, campo de pelada de meu amigo Alberto Ahmed.

Já assisti várias peladas lá e sempre me divirto com as gozações de Sergio Sapo, com o arisco Joãozinho infernizando a defesa e com a resenha que não tem hora para acabar. Mas nesse domingo a casa estava mais cheia do que o normal, lotada de parceiros da vida toda.

Impossível não fazer uma retrospectiva, me imaginar no barraco onde cresci, em uma favela de Botafogo. Quando chovia tínhamos que abrir o guarda-chuva dentro de casa. Eu fugindo para jogar bola, arrebentando a cabeça do dedão do pé, ouvindo os berros de minha mãe. Certa vez, quebrei o braço tentando pular um muro para pegar a bola. Cheguei em casa chorando, o que não me livrou de uma surra de vara de marmelo, Kkkkk!!! “Futebol é para vagabundo!!!”, costumava gritar minha mãe, Dona Esmeraldina.

Não dei ouvidos, entrei para o futebol de salão do Flamengo, conheci Fred e fui adotado por sua família. Minha mãe não tinha condições de me sustentar. Marinho, pai de Fred, era treinador de futebol, e apostou em meu potencial. Aos 15, viajamos para Honduras e depois para Colômbia, onde, ao lado de Fred, fui titular do time principal do Atlético Junior de Barranquilla. Cheguei ao Botafogo com 17 anos e, em minha estreia, meti três no América.

Depois veio seleção brasileira, Flamengo, Olympique, Fluminense, Vasco, França novamente e chuteiras penduradas. Depois, me envolvi nas drogas e durante 15 anos vi meus amigos e bens materiais se esvaindo. Estava debilitado e por pouco não virei um vagabundo. Mas os amigos, verdadeiros anjos da guarda, me estenderam as mãos e consegui ficar fora das estatísticas dos que foram derrotados por esse vício maldito.

Por isso, me emocionei quando vi tantos amigos ao meu redor. Caramba, em uma época de escassez de centroavantes dou de cara com Roberto Miranda e Nilson Dias!!! E na meiúca, Carlos Roberto, Nei Conceição e Afonsinho!!! É muita qualidade!!! Meu Deus, Moreira!!! E Galdino, que me arrancou dezenas de gargalhadas!

Não há espaço na coluna para listar todos e nem para expressar o tamanho de minha felicidade! Marquinhos de Osvaldo Cruz animou a resenha com os seus acordes. Juntos, cantamos muitos sambas, parabéns e o hino do Botafogo.

Tive vontade de pedir uma canção, mas preferi guardá-la para mim, pois ela embala essa minha guerra diária, esse meu inconformismo. E a cantarolei “Daquilo que eu sei”, de Ivan Lins, sozinho, no Uber, no caminho de volta para a casa: “Daquilo que eu sei, nem tudo me deu clareza, nem tudo foi permitido, nem tudo me deu certeza...não fechei os olhos, não tapei os ouvidos, cheirei, toquei, provei, usei todos os sentidos, só não lavei as mãos e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo, cada vez mais limpo....”.

É PRECISO MUDAR A MENTALIDADE

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

IMG_0571.jpeg

Há tempos venho falando de minha admiração pelo trabalho de Fernando Diniz, Jorge Sampaoli e Roger. Também gosto de alguns times formados por Cuca, mas ele corre o risco de cair na mesmice generalizada em que se transformou o futebol brasileiro. Agora, o mais espantoso dessa minha preferência é o fato desses três treinadores estarem tentando resgatar o nosso estilo envolvente de tocar a bola. Eles não estão inventando a roda, mas bombeiam o peito do futebol para que ele não morra de vez.

Na verdade, esse trio está em busca de nossa essência. Seus ensinamentos deveriam ser aplicados na base. Precisamos de mais “Dinizes”, “Sampaolis” e “Rogers” “degengessando” a meninada.

Quem viu o último Fla x Flu percebeu a diferença nítida entre um time bem treinado e o outro sem qualquer graça. E Cruzeiro x Corinthians, uma espécie de concurso para saber quem é o “professor” mais retranqueiro, Fábio Carille ou Mano. Que tédio!

Bom ver que o Vasco já tem outra postura com Vanderlei Luxemburgo, por quem torço muito. Mas ele terá que fazer um intensivão com a garotada, caprichar nos fundamentos, porque eles ainda pecam na troca de passes e finalizações. Meu Botafogo continuo achando sem novidade alguma, igual a Palmeiras e todos esses times covardes que entram em campo para não perder.

O problema desses três técnicos é que nenhum deles faz questão de bajular jornalistas, são anti-marketing. O Sampaoli é até mais falante, mas sofre por ser estrangeiro, assim como sofreu Osório e sofrerá Jesus, do Flamengo. Mas acho bom que venham outros treinadores de fora para abaixar a bola dos nossos que se acham o último biscoito do pacote, mas não conseguem se renovar.

É necessário mudar a mentalidade. Todos sabem o quanto eu odeio a escola gaúcha e torço para que ela desapareça do mapa. Digo a escola, seu pensamento, não os gaúchos. Roger é cria de Porto Alegre e se especializou em montar times leves, bons de se ver jogar. Se hoje o Grêmio tem um estilo de jogo muito deve-se ao seu trabalho. O mesmo com Fernando Diniz, no Audax, e Sampaoli na seleção chilena.

Vou mais longe. Esse tipo de treinador não faz bem apenas ao conjunto dos times, mas influencia diretamente na carreira do jogador. Quem sair do Fluminense para outro clube levará esse aprendizado junto, carregará um pouco da magia, da ginga, do improviso, do toque de bola, da velocidade de raciocínio, ingredientes necessários para transformar o futebol em uma grande atração.

E o que o jogador treinado pelos Carilles, Felipões e Manos da vida aprenderão? A correr, desarmar, dar carrinhos, chutões e vibrar com a vitória de 1x0, gol de pênalti.

Mas, PC, a seleção do Tite enfiou sete na Costa Rica! Kkkkkkk, me engana que eu gosto, se a Costa Rica jogar contra o Fla Master, de Adílio e Júlio Cesar Uri Geller, vai perder de 20 e no final ainda vai agradecer pela aula de futebol.

AOS 70 ANOS E VICIADO EM FUTEBOL

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

IMG_0571.jpeg

Estou prestes a completar 70 anos e tinha esperanças de ser presenteado nessa bela idade com um Brasil melhor em todos os sentidos. Mas o mundo está de cabeça para baixo. O Rio de Janeiro, nem se fala. Quando o prefeito da cidade compara a tragédia na ciclovia com o Vasco, que vive caindo, é sinal que já atingimos o fundo do poço.

Primeiro porque tiveram vítimas fatais nesse acidente e não há margem para qualquer piada. E segundo porque não se brinca com um clube da grandeza do Vasco da Gama dessa forma. Prefeito, deixe isso para os torcedores e foque na cidade, que está desmoronando.

Fico pensando se não existe um profissional, um ombro amigo, que treine essas pessoas. Algum engraçadinho me enviou um zap sugerindo que Marcelo Crivella e Neymar escrevam um livro “Como piorar o que já está ruim”, Kkkkk!!! Estou rindo para não chorar.

E a coletiva do professor Tite, existe algo mais constrangedor? Chamando Daniel Alves de “Dani”, querendo mostrar uma intimidade de paizão, que desaparece totalmente quando entram em cena as acusações sobre o “adolescente” Neymar. Está chato, tudo muito chato!

Vou fazer 70 anos e sei que a tendência é minha ranzinzice triplicar! Mas o pessoal colabora! Me irrita ouvir a jornalista também tratar Daniel Alves de “Dani”, me irrita o técnico do Tottenham barrar Lucas na final, me irrita o repórter da rádio falar, após o primeiro gol do Flamengo contra o Fortaleza, que “agora é segurar o jogo, garantir o resultado”, me irrita o técnico do Botafogo vibrar porque não está tomando gols, me irrita a quantidade de bobagem ouvida nas mesas redondas e durante as transmissões.

Talvez a culpa seja minha por enxergar o futebol de outra forma. Ontem, por exemplo, recebi uma ligação de Júnior Baiano, figura queridíssima. Após desligar um amigo, ao meu lado, soltou a pérola: “esse foi carniceiro!”.

Claro que Júnior Baiano extrapolou em alguns lances, mas jogou muita bola. Quem entende de futebol pode confirmar. Esse rótulo é muito ruim. Telê foi treinador de Júnior Baiano e sabia de seu potencial. Claro que no passado também ouvia-se baboseiras, como “Moreno é lento”. Queria um time só de lentos como ele contra os velocistas atuais.

IMG_1396.jpeg

O problema é que o futebol é um vício e na beirinha de completar 70 anos continuo ligado em tudo. Também já fui rotulado e briguei com a imprensa durante a vida toda. Desistam, não vou mudar. Meus olhos foram acostumados a ver artistas em campo. E na nossa época não haviam santinhos, frequentávamos a noite, mas eram homens sendo tratados como homens. Hoje assistimos homens sendo tratados como menininhos mimados, pelos familiares, treinador e imprensa.

Saudade de Luisinho Tombo, que nos deixou nessa semana: Aí recebo no zap: “PC, antes do cai cai tínhamos o Tombo, mas era um tombo raiz”.

Kkkk, o que o futebol precisa é exatamente dessa alegria do torcedor!