A VOLTA DOS NOSSOS BRAVOS NATIVOS

por Zé Roberto Padilha

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Não há clubes pequenos, acreditem, e sim clubes atualmente com menor poder aquisitivo. Todos eles, sem exceção, possuem uma importante história de construção ao congregar sua comunidade em torno de uma atividade social e esportiva, proporcionando lazer e entretenimento a muitos que ocuparão suas piscinas, salões e arquibancadas, além de oportunidades de trabalho e projeção aos que irão para campo defender suas cores. E erguer suas bandeiras.

O Goytacaz Futebol Clube é um destes clubes que há anos sobrevive com uma modesta receita diante da sua grandeza. Não há por parte da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro um olhar carinhoso para o interior, o que é acompanhado pela grande mídia, que praticamente ignora as divisões de acesso. Sem apoio de quem organiza e divulga, só resta mesmo aos que o defendam superação.

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Foi o que o competente treinador Ricardo Barreto e seus atletas certamente empreenderam pela nossa amada cidade de Campos, onde tive o privilégio de defender seus dois maiores clubes, Americano e Goytacaz, trazendo o clube da Rua do Gás de volta à elite do nosso futebol. E o azul e branco vai trazer de volta às telinhas, orgulhosamente, o símbolo maior da nossa história: os nativos goytacazes.

Segundo a historiadora Graziela Escocard, eles eram altos, brancos e fortes e não aceitavam ser domesticados pelos conquistadores europeus que ocuparam nossas terras. Sendo assim, ano que vem o Campeonato Carioca de Futebol terá como mascotes o urubu, o bacalhau, o pó-de-arroz, o cri-cri e até o diabo de volta. Mas a presença daqueles índios que os portugueses primeiro, e os cartolas depois, tentaram extinguir das nossas terras e gramados estarão de volta. Queiram ou não, toda rodada do estadual 2018 terá jogo de índio. E a nossa arbitragem conhece bem o refrão entoado um dia nos salões: eles querem respeito no apito se não o pau vai comer. No bom sentido, é claro. Sejam todos muito bem vindos.