QUEM É CRAQUE SEMPRE SERÁ CRAQUE

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Depois de ligação direta, lado de campo e jogador agudo, a nova criação do jornalismo esportivo é dizer que determinado time tem a digital do treinador. E basta um falar para todos os outros seguirem a cartilha. Tinha uma canção antiga do João da Praia que se encaixa bem nesse momento: “aonde a vaca vai, o boi vai atrás...”.

Se você zapear e parar um pouquinho em cada uma das mesas redondas entenderá que nossos comentaristas também estão engessados, grande parte, pelo menos. “O Palmeiras tem a digital de Felipão”, atestou um deles. Na verdade, “aonde a vaca vai, o boi vai atrás” tem tudo a ver com a escola de nossos treinadores. E justamente Felipão lidera essa lista, afinal é o mais velho, foi campeão do mundo jogando na retranca e continua em atividade. É seguido por Tite e todos os outros que vocês já conhecem.

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Aí quando surge um Sampaoli, o “analista da bancada” diz que o seu time joga de forma previsível. Pior, ainda, quando surge um artilheiro, artigo raríssimo no futebol atual, e a comentarista diz que “Gustagol não faz bem ao Corinthians porque o time é obrigado a jogar em função dele...”. Ué, vai jogar na função de quem não sabe fazer gol? Outro dia uma falou que não aprovava a contratação de Cuevas porque o Santos já estava cheio de jogadores baixos. Eu escalo um time só com jogadores baixos e que dificilmente perderia.

Saindo do Brasil, o Atletico de Madrid tem a digital de Simeone. Se não tivesse, o craque Griezmann não seria tão subaproveitado. Os comentaristas atuais amam Carille, Felipão e cia, e torcem o nariz para quem tenta resgatar nossa essência, como Fernando Diniz e Sampaoli.

Atualmente moro em Floripa e é duro ver o Figueirense, de Hemerson Maria, e o Avaí, de Geninho, jogarem. Entram para não perder e ponto. Alberto Valentim usou um time de reservas contra o Cabofriense e perdeu. Qual outra competição importante o Vasco joga para agir assim? No Flamengo, o jogador mais caro da história do clube briga para ser titular!!!!

Com Vitinho não é diferente. Essa não vou entender nunca! A grande verdade é que o torcedor atual também enxerga o futebol de outra forma. Nas redes sociais, um jovem disse outro dia que aquela série de dribles de Clodoaldo contra a Itália, na Copa de 70, não aconteceria hoje porque a marcação era fraca. Aí eu pergunto, por que com a marcação forte de hoje Iniesta faz a mesma coisa? Jairzinho não sobreviveria, dizem outros. Então por que Messi, acima dos 30 anos, continua deixando seus marcadores para trás?

Como não sei desenhar tentarei explicar mais uma vez. Quem é craque sempre será craque e quem é brucutu sempre será brucutu. O problema de hoje é que os treinadores valorizam mais os brucutus, ainda mais se eles tiverem barbonas enormes, fizerem cara de mau e derem socos no ar após cada carrinho. Sou nostálgico mesmo, do tempo em que digital era só na carteira de trabalho, as vacas que puxavam a fila eram premiadas e os bois não se deixavam domar facilmente.

O CARIOCA ESTÁ SENDO DESRESPEITADO

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Quem me conhece sabe o quanto odeio retranqueiros. Diego Simeone é um deles. Por isso, adorei os três gols de Cristiano Ronaldo e a classificação da Juve. Cristiano não tem swing e sabe disso, por isso é dedicado e de uma eficiência impressionante.

Retranca é vencida com técnica, a mesma que o saudoso Coutinho usava para furar defesas. No Maraca, vi um gol dele contra o Benfica espetacular. Balãozinho no zagueiro e rede estufada!

O futebol me deu muitas alegrias! Me orgulho de ter vestido as camisas dos quatro grandes clubes cariocas, assim como fui um privilegiado por assistir Bráulio, Ivo e Eduzinho esbanjando categoria no América. Foram áureos tempos! Fui xingado e endeusado, ganhei, perdi e aprontei muito nesse Maraca! O goleiro Andrada que o diga, Kkkkk!!! As bandeiras desfraldadas, os geraldinos, os tradicionais chefes de torcida, Jorge Curi, Waldir Amaral, Mário Vianna, os pontas endiabrados, o cachorro-quente da Geneal, as camisas sem patrocínio e os torcedores chegando de trem, a pé, para prestigiar seus ídolos.

Não posso admitir que o CAMPEONATO CARIOCA, em letras maiúsculas como deve ser, venha sendo tratado com tanto desrespeito pelos “profissionais” da área. É preciso que entendam que Botafogo x Fluminense é uma marca, assim como Flamengo x Vasco. Marcas fortes, construídas há anos.

Fiquei chocado com a postura de meu amigo Abel com essa história de poupar jogadores por conta de terem jogado na altitude dias antes. Peraí, antigamente dormíamos no aeroporto e estamos vivos até hoje.

Não se poupam jogadores em um Flamengo x Vasco. É desrespeito com a história do futebol, com a torcida e com tudo mais! E não e venha com essa lenga-lenga de time B só para se preservar diante uma possível derrota. Agora os jogadores deverão desfilar pelo clube com crachás “jogador A”, “B”, “C”. Vestiu a camisa do Flamengo é Flamengo. E além do mais o Flamengo entrou com Arrascaeta e Vitinho, os dois “cracaços” mais caros da história do clube.

Na coletiva, Abel teve uma postura ginasial, disse que estava ali para rir do que fizeram com o Flamengo. E os jornalistas ficaram lá, o acompanhando nas risadas, sem questioná-lo de nada. Tem que rir é do Rodinei que perdeu aquele gol feito e não dos dois pênaltis que existiram.

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É bom deixar claro que o Flamengo não tem nem um time A pronto, redondo, entrosado, que dirá um B. Abel disse que na Libertadores “os árbitros não apitam qualquer faltinha”. Fez da coletiva o seu palco. Para Abel, a Libertadores, da Conmebol, é a competição mais correta do planeta.

A Libertadores virou competição para machos, futebol esquece. Viram a falta de Felipe Melo no jogo de ontem? Enquanto isso, o CAMPEONATO CARIOCA vai perdendo espaço para as Sul-Americanas da vida.

Na mesa ao lado, um jovem com a camisa rubro-negra, me aconselhou: “PC, esquece, estão todos de bolsos cheios”. Dei uma bufada, fechei os olhos e lembrei de Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira, Ocimar e Aladim, Bangu de 66. Eles sempre me salvam nessas horas.      

DOIS CONTRA A MEDIOCRIDADE

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Amigos, é impressionante como torcer pela desgraça alheia é o passatempo de muita gente. Vejam, por exemplo, o que acontece atualmente no futebol. Apenas dois, e não mais do que isso, dois treinadores tentam chutar o balde da mesmice fazendo seus times jogar um futebol vistoso, ofensivo, de toque de bola e ousadia. Vocês sabem que falo de Fernando Diniz, do Flu, e de Jorge Sampaoli, que está no Santos. Mas, PC, o Santos foi desclassificado e o Fluminense empatou com um time que nunca ouvimos falar. E daí?

Como os adversários jogaram, escondidos atrás de uma pedra, acuados, atuando covardemente? Isso é futebol? Mas, PC, Flu e Santos não era para terem vencido? E venceram! Venceram porque estão apresentando propostas para fugir desse marasmo em que se transformou o nosso futebol, com um bando de “professores” que entram em campo para não perder.

Querem um bom exemplo? Dou dois! Na semana passada, Felipão e Carille, os queridinhos, ganharam utilizando a velha fórmula: jogando por uma bola. O Corinthians nem isso conseguiu e se classificou nos pênaltis. Já o Felipão, disse que precisou reforçar a defesa do Palmeiras contra o poderosíssimo Ituano para deixar o Ricardo Goulart solto com o Borja e ganhou no sufoco. Faz sentido? Nem um pouco!

Na minha época, esses jogos eram nossa oportunidade de brigar pela artilharia do campeonato e aumentar o saldo de gols. Os roupeiros nem precisavam lavar o uniforme do nosso goleiro. Kkkkkk! Temos que insistir em nossa verdadeira forma de jogar, apostar todas as fichas em nossa escola. A força física não pode prevalecer.

Por pensar diferente de todo o resto, apenas Fernando Diniz topou trazer Ganso de volta. “Ganso é lento”, “Ganso não consegue acompanhar o ritmo atual”. Gente, o Gerson fumava em 70 e o preparo físico dos europeus era bem mais avançado do que o nosso.

Pior de tudo foi ver os comentaristas da ESPN comentando a atuação do Ganso em um jogo que ele nem entrou em campo por não estar inscrito! Parece brincadeira, mas não é! Como um profissional do jornalismo pode analisar um jogo que nem assistiu? Fazer uma análise baseada no chutômetro é no mínimo imprudente.

A verdade é que Santos e Fluminense ainda não encontraram os jogadores certos para botar em prática o estilo dos seus treinadores. A qualidade técnica ainda é um grande desafio e que deve ser consertada na base, como já repetimos aqui. E eles dois estão usando muitos garotos, apostando, colocando para jogar sem melindres. Essa mentalidade de “jogar por uma bola” é o que vem destruindo nossa arte.

Agora, entendam o tamanho da encrenca de Diniz e Sampaoli, são dois contra todo o sistema da mediocridade. Fico por aqui torcendo para que Diniz e Sampaoli coloquem os “professores” engessados na rodinha de bobo e que jamais desistam de valorizar o futebol arte.

FATALIDADE É O QUE NÃO SE PODE EVITAR

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

(Foto: Marcelo Tabach)

(Foto: Marcelo Tabach)

A palavra da vez é jurisprudência. Ela foi repetida diversas vezes pelo presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, durante sua tão esperada coletiva. Tive que recorrer ao dicionário para entender o seu real significado.

Sempre ouvi os mais velhos falando que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém! Está lá. Vem do latim: jus de justo e prudência, essa mesma que os nossos avós vivem pedindo para termos e o Flamengo não teve. Na verdade, se algum clube tem desconheço.

Quando joguei no Grêmio, os alojamentos eram sob as arquibancadas, no Vasco não é diferente. Funciona assim, os pais sabem, os jogadores se submetem e os dirigentes e empresários aproveitam-se disso. Mas quando acontece uma tragédia o clube, precisa posicionar-se e não usar essa tal jurisprudência de escudo.

O presidente Rodolfo Landim estava descontraído, riu, brincou com jornalistas e fez questão de “responder” todas as questões. Foi justo, como ensina o jus da jurisprudência. Mas reclamou que as advogadas de algumas famílias vêm tumultuando o processo. Mas ele mesmo carregou seu advogado a tiracolo para a coletiva. Que jurisprudência é essa, que cálculo é esse e de onde foi tirado?

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É muito fácil falar que é difícil calcular o valor de uma vida. Apesar de não ser bom em matemática, vou tentar ajudá-lo, presidente. Que tal adotar o mesmo método, mão aberta, usado para contratar o Arrascaeta, sem medo de ser feliz? Ter o mesmo empenho que teve no leilão com a diretoria do Cruzeiro? “Ah, não querem ceder o Arrascaeta, dobro a proposta!!!”. Foi assim com Vitinho, Rodrigo Caio, Bruno Henrique, Diego Alves, Ceifador, Gabi Gol e na renovação de Diego. Foi fácil precificá-los, afinal cobrimos qualquer oferta!!! Por que não arregaçar as mangas e partir para a defesa do valor “dos passes” desses mortos, brigar por eles, valorizá-los, respeitá-los?

Na coletiva, só ouvi valores do tipo “cinco mil de mensalidade”, “duzentos mil de indenização”, cifras que soam como deboche diante a polpuda folha salarial do clube. Vendam um desses tantos jogadores do elenco e resolvam a questão com grandeza. Alguns, garanto, não farão a menor falta.

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Fica uma pergunta: o Flamengo vai conseguir contratar algum jogador antes de resolver essa questão das indenizações? Landim, nem sempre contratações milionárias mostram a grandeza de um clube.

Ah, e sobre fatalidade, o dicionário ensina que é destino, o que não se pode evitar. E só a diretoria do Flamengo pode evitar uma tragédia ainda maior e parar de esquivar-se, culpar administrações anteriores e usar a jurisprudência para fugir de suas responsabilidades. A hora, agora, é de precificar o valor dos mortos porque dos vivos vocês são imbatíveis.        

SÓ ME RESTA PEDIR DESCULPAS

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Escrevo essas mal traçadas linhas para pedir desculpas ao Maracanã e aos torcedores. É o que me resta. Meus gritos não são ouvidos e jamais serão. Estádio e torcedor aceitam tudo, menos esse descaso há que vêm sendo submetido há anos. O Maracanã passou por um lipoaspiração mal sucedida e cirurgias plásticas que o deformaram de vez.

O “maior estádio do mundo” queria envelhecer com dignidade, tomado por rugas e as marcas do tempo, registros de sua história. O Maracanã e sua inseparável torcida trazem cicatrizes que jamais serão apagadas pelos cirurgiões. A dor faz parte do espetáculo. Já choraram juntos em 50, mas estremeceram os pilares de felicidade com o gol de Romário contra o Uruguai. Maracanã e torcida, um depende do outro.

Os torcedores também foram transformados ao longo dos anos. Hoje, são brancos, belos e ricos. Duvido que saibam desfraldar uma bandeira gigante e tocar um repique. Duvido que o grito de gol saia das entranhas da garganta e que abracem o suadão do lado.

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Me perdoe por isso, Dulce Rosalina, Rução, Tarzan, Tia Ruth e o homem do pó de arroz. Todos já choraram. Nenhum deles se importa em sair do estádio com o coração em frangalhos, mas não barre nenhum deles, suplico. Me perdoe, Jayme de Carvalho e sua charanga, me perdoe rapaziada fantasiada da Geral. Como fui xingado por vocês, mas como amo vocês! Bastava eu colocar a mão na cintura, desistir da jogada, para a galera cair de pau, me xingar de tudo.

Xinguem-me, voltem e afaste de mim esse pesadelo!!! Renasçam!!! Me perdoe, Mário Filho, João Saldanha, Nelson Rodrigues e Ruy Castro. Ah, Maraca querido, imagino sua dor e peço perdão porque sei que nenhum dirigente o fará. Eles afastaram você de seu melhor amigo, o torcedor.

Vocês são o maior símbolo de união e parceria do futebol. Quantas decisões você presenciou, abarrotado, explodindo. Excelente anfitrião, era da filosofia do sempre cabe mais um. Hoje acham 50 mil muito, Kkkkk!!!

Mas, Maraca e torcedores, cá entre nós, essa decisão da Taça Guanabara merecia a atenção de vocês? Era melhor não ter visto mesmo, né? Até o gol do título foi sem querer, Kkkk!!! Adoraria abraçá-los, ser um polvo gigante para carregá-los no colo porque vocês já me deram muitas alegrias. Tristezas também, afinal essa mistura de sentimentos é o que resulta nessa nossa paixão ensandecida.

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Me perdoe, porque o perdão é o que me resta. A violência e o descaso com vocês chegou ao extremo, as grandes estrelas barradas no baile enquanto os egoístas brigavam por um lado. Sou do tempo em que quem tinha lado era disco, A e B.

Muita raiva por isso tudo e minha forma de extravasar é pedir desculpas, gritar o mais alto que eu conseguir. Ou, então, imitar a os geraldinos que no auge de sua ira, carregada de pureza, arremessavam seus radinhos de pilha no gramado.