NÃO SOMOS EUROPA

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Imaginem uma Copa do Mundo na Argentina e La Bombonera precisando se adaptar aos padrões FIFA? La Bombonera transformado em uma arena ultra moderna igualzinha a que fizeram com o Maracanã. Imaginem toda essa mística soterrada! Passei o final de semana mergulhado em jogos de futebol. Boca x River foi mágico, não pelo futebol apresentado, mas pela entrega dos torcedores. Um amor que vem das entranhas, que nos contagia e emociona. Isso é o futebol e só isso pode salvar o futebol. Dois técnicos idolatrados, uma torcida extasiada, estádio abarrotado!

Foi um grande jogo? Não importa. Esse clima é o que faz o futebol pulsar. Para a garotada que não conheceu o Maracanã dos bons tempos eu garanto, ele pulsava, nos abraçava e nos embalava ao som de seus cânticos. O Maracanã nos hipnotizava assim como La Bombonera me deixou desconcertado na primeira vez em que pisei lá. E a Conmebol age para transformar a Libertadores em uma Liga dos Campeões. Por favor, não deixem que mais esse crime seja cometido por esses dirigentes hipócritas.

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O futebol sul-americano é diferente do europeu e deve ser! Imaginem essa final da Libertadores sendo disputada, por exemplo, na Bolívia ou Equador? Qual o sentido disso? Qual o problema de os estádios serem antigos? Transformá-los em arenas automaticamente afetará o valor do ingresso. O afastamento dos verdadeiros torcedores será inevitável, como aconteceu no Maracanã. As torcidas elitizaram-se e há tempos não são o seu décimo segundo jogador. Não somos Europa, esqueçam! E mesmo na Europa alguns clubes penam para manter suas arenas impecáveis.

Por aqui, meu limitado Botafogo ganhou do ultra dimensionado Flamengo. Como a imprensa exalta esse time? O Tite explicou que precisou convocar Paquetá e Everton, do Grêmio, porque os dois estão jogando muita bola. Se é esse o padrão de qualidade do professor vamos nos afundar mais ainda.

O momento de maior "brilho" de Paquetá foi em uma rasteira no adversário. Em capoeira está aprovadíssimo, Kkkkkkk!!!! O Flu não fez gol no Sport porque seus jogadores sofrem do mesmo problema de 90% dos atacantes brasileiros: deficiência técnica. O Grêmio só venceu o Vasco graças a um frangaço de Martin Silva. Está tudo nivelado por baixo. 

Pode parecer absurdo mas os jogadores brasileiros torcem para não receber a bola porque não têm a menor intimidade com ela. Assistiram Manchester City 3 x 1 Manchester United? Eu, sim! Guardiola continua sendo o maior treinador do futebol mundial. No terceiro gol os jogadores ficaram quase dois minutos tocando a bola, botando o adversário na roda até concluir. Não deixem de ver!!! Isso é treinamento, fundamento! O futebol inglês é o que mais me encanta, Liverpool, Chelsea. Chega de Mourinhos e Felipões! E de Aguirre! Mas quem mandou contratá-lo? Ricardo Rocha, Raí e Lugano, do comando tricolor. Também contrataram Diego Souza e Nenê. Até uma criança do primário sabia que ia dar caca. O ex-jogador tem que ser aproveitado principalmente na base. Ali, talvez não seja a galinha dos ovos de ouro mas é o início da escalada profissional e, por isso, condeno os que usam a influência e o relacionamento para pular etapas.      

PERGUNTAR NÃO OFENDE

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Não sou jornalista e nem especialista em estatísticas. Sou apenas um observador do futebol e hoje venho deixar no ar algumas dúvidas e questões.

  1. Odeio com todas as minhas forças falar sobre arbitragem, mas o que tem acontecido nas competições comandadas por argentinos é para ser discutido seriamente. Os dirigentes estão sempre envolvidos em polêmicas. Teve a Copa de 78, a mão de Deus, em 86, a Conmebol comandando o espetáculo e nada muda. Por que não é realizada uma séria investigação a esse respeito?

  2. A CBF não gosta do VAR, mas o VAR tem servido para alguma coisa? Outro dia me disseram que na sala do VAR havia 12 pessoas. Tanta interferência pode dar certo?

  3. Após o jogo contra o Vasco o dirigente do Inter soltou o verbo contra a arbitragem e, agora, contra o Atlético Paranaense, ele falou alguma coisa ou apenas comentou entre os amigos: “Tá vendo como foi bom reclamar?”.

  4. Qual o orçamento de Boca e River comparado aos de Palmeiras e Flamengo?

  5. É sério que vou ter que continuar ouvindo os comentaristas tentando nos convencer de que o Vitinho é craque?

  6. A torcida do Flamengo concorda no valor pago por ele?

  7. É fake news a entrevista do Maradona, na Fox, em que ele diz que não convocaria mais o Messi porque não dá para acreditar em um jogador que vai dez vezes ao banheiro antes de cada jogo importante? KKKKKKKK, isso é maravilhoso! Muitos podem achar Maradona maluco e inconsequente porque todo dependente químico é visto dessa forma. Passei por isso, mas entendo o que ele diz e de futebol ele sabe muito!

  8. Vocês acham que ex-jogadores de qualidade podem ser bons técnicos? Acho que devemos apostar nisso. Adoro ver o futebol argentino. Atualmente, o Boca é dirigido por Guillermo Barros Schelotto, atacante de seleção, muito inteligente, e o River tem Marcelo Gallardo, um meia excepcional que dava gosto de ver, da geração de Saviola e Ortega. Fantástico, o futebol tocado por quem entende do riscado! E o toque de bola é bonito de ver.

  9. Sou doido ou a qualidade dos jogadores trazidos de nossos países vizinhos está abaixo da média? Pouquíssimos, mas pouquíssimos mesmo, se salvam. Chará e Cazares, do Atlético Mineiro são bons, mas não são regulares. Bom D´Alessandro ainda estar em atividade. Gosto do Nico López e gostava do Cuevas. Seria bem mais vantajoso investir nos jogadores da base.

  10. Por falar em base por que só nas últimas rodadas o técnico do São Paulo lançou o jovem Helinho? Não suporto essa história de não lançar “meninos” por medo de queimá-los. Frescura!!! Quem sabe jogar bola já nasce com personalidade!

  11. O Cruzeiro quando levou a tríplice coroa, em 2003, ficou poupando time?

  12. Quem merece ser campeão brasileiro? Por mim, o campeonato podia acabar agora, sem vencedores. Seria mais justo com o futebol. A vitória do Palmeiras, claro, animará a sua torcida, mas será mais um retrocesso, afinal ninguém suporta mais time-canil, aquele em que os cães de guarda são as maiores atrações.

POR UM TSUNAMI DE IDEIAS

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Quem me conhece sabe que há anos ando desiludido com o futebol e com a política. CBF, FIFA, PSDB, PT, PMDB, enfim, nenhuma dessas siglas me representa. Todos se envolveram em um mar de corrupção e conseguiram afundar o Brasil e o futebol. Estamos mergulhados de cabeça na lama e não me iludo com promessas e discursos.

Mas, confesso, fiquei feliz porque no país todo o resultado das urnas comprovou a sede por mudanças. Não sou Lula ou Bolsonaro e nem sei se os eleitos cumprirão suas promessas, mas essa inquietação contra a mesmice é a que me move. Os grandes partidos perderam espaço e a nossa capacidade por indignação ganhou força. O futebol precisava dessa chacoalhada.

Um tsunami seria necessário para uma renovação nos dirigentes das confederações, federações e clubes, na mentalidade dos “professores”. A escola gaúcha não tem mais o que dizer, parou no tempo. Felipão está prestes a vencer um Brasileirão e sairá como herói. Mano venceu a Copa do Brasil. Zero inovação, a receita de sempre: um monte atrás torcendo por um golzinho salvador. Palmeiras e Flamengo montaram elencos milionários e a partida entre eles foi sofrível. Dinheiro não compra qualidade. Qualidade é nata e está na molecada que vocês estão colocando fora de posição para marcar e dar carrinho.

Felipão colocou um time em campo com quatro cães de guarda: Felipe Melo, Bruno Henrique, Moisés e Tiago Santos. Eu disse quatro!!!!!

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E cadê o Lucas Lima? Tá no banco! Não morro de amores por ele, mas sabe jogar bola e não pode ficar na reserva para nenhum desses quatro. Dudu se salva, mas precisa deixar de ser chorão. Joga bola e pronto! Felipe Melo espanou Paquetá o quanto pôde e os comentaristas dizendo que ele jogou muita bola. Em que mundo vocês vivem???

E o Felipão no fim do jogo exaltando o fato positivo de se jogar em um Maracanã lotado.... com 50 mil torcedores. Ô Felipão, 50 mil dava Olaria x Madureira dos bons tempos! O problema é que essa turma se contenta com pouco.

Vem tsunami, varre esses exterminadores do bom futebol para bem longe daqui!!! Querem um exemplo bobo. O centroavante Pablo, do Atlético Paranaense. Quantas vezes vocês já ouviram o nome dele em alguma sondagem dos últimos “professores” da seleção? Nenhuma! Será necessário ele mudar de empresário ou ir para a Europa? Essas convocações são abomináveis, é um toma lá dá cá escandaloso.

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Precisamos de novos ventos, de novas ideias. O futebol precisa ser discutido, reavaliado. Na política, não vimos apresentação de propostas entre os presidentes nem entre os candidatos ao governo do Rio. Só acusações, dossiês, fake news. Triste. Mas a verdade é que nosso futebol é fake, nossos dirigentes são fakes. No meio dessa bagunça generalizada, o torcedor clamando por renovação.

Só sei que no dia da eleição, nosso querido Mané Garrincha faria 85 anos. Meu voto vai para ele porque não só no futebol, mas como na política, precisamos de sua criatividade, seu raciocínio rápido, sua sagacidade, mas, acima de tudo, precisamos de sua pureza.   

DAS URNAS PARA O FUTEBOL

:::::::: por Paulo Cezar Caju ::::::::

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Romero Jucá, Cesar Maia, Sarney Filho, Roberto Requião, Edison Lobão....há quantos anos ouvimos esses nomes circulando pela Política? Pelo que li, esses aí não conseguiram se reeleger o que já não deixa de ser um grande avanço.

Adoraria que uma renovação dessas fosse feita no futebol. O problema é que nem sempre os substitutos aproveitam a chance, pior, muitos rezam da mesma cartilha. Os políticos mudam de partidos sem qualquer cerimônia e no futebol o cenário não é diferente, os nomes não mudam e não há qualquer novidade no formato de trabalho, zero inovação.

Por exemplo, há time mais previsível do que o Inter? E o Palmeiras? Corre o risco de o Felipão ser campeão do Brasileiro com o mesmo esquema de sempre. Ou a mesmice de Mano ser premiada. Dois ex-seleção brasileira. Tite que se cuide, hein, Kkkkk!!!!

Sério, qual foi a grande sacada de Felipão? Insistir com Deyverson, um centroavante que provoca, tumultua o jogo, mas depois chora e diz que é bonzinho. Que mala!!! Fora que o Palmeiras tem um elenco gigante e Roger montou boa parte desse grupo.

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Os candidatos ao título estão longe de pelo menos tentarem algo diferente. O Dorival já rodou mil clubes e agora volta ao Flamengo de onde o próprio Bandeira de Mello o mandou embora. Ganhou de um Corinthians desarrumado e visivelmente se poupando para a final da Copa do Brasil e virou gênio. Basta olharem o jogo. Mais irritante ainda é ouvir os comentaristas dizendo que ele “arrumou a casa”. Fora que contei sete profissionais na comissão técnica do Dorival. É preciso tanta gente mesmo?

Outra coisa que me irrita é essa história de os “professores” trazerem seus filhos para fazer parte do grupo. Será que, assim como os políticos, eles também querem se eternizar no poder? Olha que vários filhos de políticos não conseguiram se eleger nessa eleição, hein! Renovação assim é ruim porque os pupilos seguirão com os mesmos erros. Fora que não deixa de ser nepotismo.

Já falei que renovação não é pela idade, mas pelo pensamento. Zé Ricardo e Barbieri, por exemplo, são de uma nova safra que não ousou, que talvez querendo garantir o emprego jogam se defendendo. Saudade da tranquilidade de Jayme e da sabedoria de um Carlinhos Violino. Nos últimos tempos o único que vi tentar algo diferente foi o Fernando Diniz. Por onde ele anda, por falar nisso?

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Adoraria ver uma garotada surgindo com novas propostas. Se é assim que sonhamos para o país, o futebol, maior paixão do povo, também deve seguir os mesmos passos. Há de surgir alguma alma salvadora que passe uma borracha nessa história de quatro volantes, não é possível!

O país assiste partidos políticos trocando insultos e inventando mentiras. Em campo, chutões, empurrões e desrespeito. Mas o Leonardo Gaciba diz que carrinho é normal, então tá! O Hino Nacional antes do jogo soa como deboche. O futebol precisa de uma revolução criativa. Como dizia o Mestre Didi, quem deve ser rápido é o raciocínio, não as pernas.

BOAS DOSES DE AZNAVOUR

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Fiquei sabendo da morte de Charles Aznavour quando estava no carro com o parceiro Oberdan em uma estrada de Curitiba. Para a garotada saber, Oberdan foi um excelente zagueiro de Coritiba, Santos e Grêmio. Por coincidência ouvíamos Frank Sinatra, Tony Bennett e falávamos sobre as boas coisas da vida. E a canção de Aznavour é uma delas.

Éramos amigos. O conheci em uma das muitas festas que ia quando jogava na terceira divisão francesa, no Aix en Provence. Ele adorava futebol e era amigo de Daniel Stern, fundador do Paris Saint-Germain.

Sempre considerei o futebol uma arte, assim como o cinema, a música, o teatro e a pintura. Por isso abomino os botinudos que viraram estrelas em nosso futebol atual. Estou triste, muito triste. Mas, graças aos céus, a arte é eternizada e poderei continuar ouvindo “La Bohème”.

A diva Angela Maria também viverá para sempre em nossos corações. Assim como o futebol, o rádio também teve sua época de ouro, com torcidas rivais e tudo. Angela Maria, Marlene e Emilinha Borba eram como times, tinham fã-clube e brigavam ano a ano pelo título de Rainha do Rádio.

As novas gerações, fascinadas pelas redes sociais, talvez não consigam dimensionar o poder de alcance do rádio, o inseparável companheiro do torcedor, o porta-voz das principais notícias e a garantia de boa música, como a de Tito Madi, que também nos deixou recentemente.

Nessa época, os jogadores circulavam pela cidade e trocavam ideias com a torcida, no Beco das Garrafas, por exemplo. O Beco era uma travessa sem saída, na Rua Duvivier, em Copacabana, que reunia vários bares. Ali, a boa música fervilhava, como nos campos o bom futebol atraía multidões, nos teatros, cinemas, palcos em geral, tudo era uma festa. Sempre me pergunto onde foi parar toda essa inspiração e poesia.

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Uma vez, no Noites Cariocas, na Urca, um torcedor se aproximou de mim e perguntou porque em determinados momentos da partida eu colocava as mãos na cintura e parava de correr no jogo ocorrido no Maraca horas antes. “Porque o Dario não conseguia dominar uma bola”, respondi. Rimos juntos.

Nesse dia, a Geral me xingou de preguiçoso, mascarado e outros nomes impublicáveis. Tínhamos uma relação de amor e ódio. Mas a Geral era justa e no primeiro lençol que dava me transformava em rei novamente. Também costumavam me abordar na praia e nos restaurantes.

Hoje dificilmente você encontra um jogador dando bobeira por aí. Ligo a tevê e vejo o Mano tentando explicar a eliminação do Cruzeiro da Libertadores. Como se explicam....os botinudos não conseguem enxergar aquela entrada do Dedé no goleiro como jogo perigoso. A expulsão também foi justa. Para os adeptos do futebol força vale tudo!!!!

O pior é que a escola gaúcha ainda tem chance de ganhar uma Libertadores e isso me tira do sério. Olha que eles acabam se perpetuando no poder e isso não é nada bom. Na seleção, ainda insistem nessa tecla, nesse modelo feio, pragmático, de jogar bola. O meu Botafogo foi eliminado nos pênaltis pelo Bahia. O problema é que os retranqueiros que dominam o futebol atual não sabem jogar ofensivamente, só sabem destruir.

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Hoje os centroavantes não marcam gols, marcam adversários. Hoje o futebol funciona como um corredor polonês: para conseguir seu objetivo vai ter que ultrapassar um batalhão de soldados. Futebol é xadrez, não boxe. E ainda me pedem paciência. Esgotou-se faz tempo.

O nosso futebol está tão esquizofrênico que a maior atração do Brasileiro é o Lisca Doido, um gaúcho dançarino, KKKKK. Realmente estou precisando de boas doses de Aznavour para me acalmar. Então, desligo a tevê, ligo o som e viajo aos áureos tempos no embalo de “La Bohème”.