histórias de nelinho

texto: Sergio Pugliese | entrevista: Sergio Pugliese e Letícia Cançado Magalhães | vídeos e fotos: Washington Alves

 

Um dia PC Caju me listou os melhores contadores de histórias que conhece: o goleiro Raul, Vampeta e o lateral Nelinho. E acrescentou que durante alguns anos, ele, Raul, Nelinho e o saudoso Sócrates rodaram os bares do Brasil contando causos num projeto chamado “Toque de Classe”. Queria muito ter assistido unzinho!!!! E nada melhor para um bom contador de histórias do que a gargalhada do PC. Ela faz você sentir-se realizado, um Jerry Lewis, um Jim Carrey. Quando surgiu uma viagem para Belo Horizonte pedi os contatos de Raul e Nelinho para PC. Raul estava enrolado, mas Nelinho topou receber a equipe do Museu da Pelada. Para quem ama futebol e idolatra os craques de verdade tocar a campainha e ser recebido pessoalmente por Nelinho é marcante, inesquecível, gratificante.

– Acharam fácil? Vamos entrando?

Mesmo se tivéssemos demorado a achar, qual seria o problema? Vale tudo para encontrar o ídolo!!! De cara, automaticamente, olhei para os seus pés. Não é possível que seus pés fossem iguais aos nossos! Aquele golaço contra a Itália, que nos garantiu o terceiro lugar na Copa do Mundo de 78 nunca saiu da minha cabeça!!!! Que curva foi aquela??? E acreditam que no Wikipedia está assim: “após tentar um cruzamento pela direita, a bola fez uma curva inesperada”. Cruzamento???

Treinava horas e horas, exatamente aquele chute. O roupeiro avisava que estava indo embora, deixava meu sabonete e o meu tamanco num canto e se mandava. Ficava sozinho no clube chutando, chutando e chutando. Os goleiros não conseguiam me acompanhar e também iam embora, mas eu ficava.

– Treinava horas e horas, exatamente aquele chute. O roupeiro avisava que estava indo embora, deixava meu sabonete e o meu tamanco num canto e se mandava. Ficava sozinho no clube chutando, chutando e chutando. Os goleiros não conseguiam me acompanhar e também iam embora, mas eu ficava.

Hoje os médicos proíbem o excesso desse tipo de treinamento para evitar o desgaste da musculatura. Mas Nelinho não estava nem aí e, para provar que os problemas na coluna eram fantasmas do passado, provocou a imprensa e disse que seria capaz de chutar uma bola para fora do Mineirão. A equipe do Fantástico topou o desafio e o pegou de surpresa num dia em que já treinara e preparava-se para ir embora.

Não ia dar pra trás, né?

– Não ia dar pra trás, né?

Voltou ao vestiário, trocou de roupa e deu mais de 30 chutes até conseguir. A coxa inchou e quase ficou fora do jogo de domingo. Outros tempos! 

Essa foi apenas uma das tantas histórias contadas pelo carioca Nelinho, ídolo dos rivais Cruzeiro e Atlético. Nelinho começou a carreira no Bonsucesso, passou pelo Barreirense, de Portugal, América, Remo, Cruzeiro, onde foi campeão da Libertadores, em 1976, e Atlético. Lamenta a perda do Brasileiro de 74 para o Vasco.

Fomos roubados!

– Fomos roubados! – dispara.

Mas a irritação foi abafada pela sequência de divertidas histórias, como a do voucher, do apelido e a do roubo da cortina, todas registradas em nossos vídeos, que vocês podem assistir agora! Divirtam-se!!!!